27 outubro 2026

O crepúsculo da liberdade no Brasil e a ilusão da democracia das urnas

Deus é surpreendente! Lula venceu de novo. Das últimas sete eleições, o PT venceu seis: 2002, 2006, 2010, 2014, 2022 e 2026. É inexplicável a derrota da agremiação petista em 2018 para Jair Bolsonaro. O fato permanece como um mistério. Vivemos na era da democracia brasileira das urnas eletrônicas e todos desejamos a certeza de que as caixinhas mágicas expressam a vontade popular. Se expressam, viva a democracia! Caso contrário, de onde vem a convicção e como auditar uma eleição no Brasil? Faz falta o voto impresso! Até a Venezuela do tempo de Maduro tinha voto impresso.

Em 2021, o então ministro-presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, foi ao Parlamento e atuou para derrotar a proposta do voto impresso. Ele conseguiu barrar a PEC 135/2019 sob o argumento de ser “uma solução desnecessária para um problema que não existe”. Resistiu à transparência. Atuou politicamente no Congresso contra a proposta e conseguiu impedir sua aprovação. Passadas as eleições, cunhou duas frases marcantes: “Perdeu, Mané” e “vencemos o bolsonarismo”. Somos obrigados a confiar nos desenvolvedores dos softwares das urnas, sem o direito à dúvida. Inclusive, questionar o sistema eleitoral pode provocar investigações e medidas judiciais com risco de prisão. A confiança no sistema eleitoral exige transparência, fiscalização efetiva e mecanismos de auditoria que permitam verificar os resultados.
Nesse cenário, o ministro Alexandre de Moraes, sucessor de Luís Roberto Barroso na presidência do TSE, fez declarações enfáticas contra as críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Entre as falas registradas pela imprensa, destacam-se: "Quem contesta as urnas eletrônicas age por ignorância, má-fé ou os dois"[sic]; "Colocar em dúvida o funcionamento da urna eletrônica é colocar em dúvida a democracia brasileira"; "Quem se utilizar de fake news, quem falar de fraude nas urnas, quem propagar discurso mentiroso, discurso fraudulento, discurso de ódio, terá seu registro cassado". Diante dessas declarações, cabe a pergunta: isso representa uma ameaça ou uma tipicidade sem lei criada a gosto da ocasião?
As urnas mostram uma sabedoria singular: elegeram deputados federais, estaduais e senadores da oposição nos Estados e o governo federal da situação, em 2026. O PL, legenda adversária, elegeu as maiores bancadas de parlamentares, além de liderar no número de governadores. Dos 27 estados, o PT elegeu governadores em apenas quatro, todos no Nordeste: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Ainda assim, Lula desponta como unanimidade. Se minha avó estivesse viva, ela diria: “Tem uma ciência nisso”. Essa era sua resposta para tudo o que lhe parecia inexplicável. Podemos dizer que Lula reflete o povo brasileiro. Um merece o outro. Um casal perfeito. A população e Lula se entendem muito bem. Lula é bem conhecido. Dispensa apresentação. O Brasil se comporta como uma esposa que tolera mentiras, traições e agressões, mas permanece no relacionamento como se fosse a única opção disponível.
Do fundo do meu coração, eu queria escrever assim: Deus nos concedeu a libertação do mal. A partir de hoje, o Brasil respira prosperidade, pois eliminamos o câncer que extorquia as riquezas do país. Desde 2003, vivemos tempos sombrios. Nesse período, até a seleção brasileira de futebol perdeu seis Copas do Mundo. Conquistamos o último título mundial em 2002, ano anterior à chegada desse governo ao poder.
Perdemos, no entanto, uma geração. O Brasil e a população empobreceram. Pior do que isso, ficamos moralmente debilitados. Além disso, o governo do PT contribuiu para enfraquecer os princípios cristãos e os valores milenares que estruturam uma sociedade.
Há 60 anos, o socialismo contamina silenciosamente as bases da sociedade brasileira. O socialista fabiano Fernando Henrique Cardoso enganou o país ao se apresentar como liberal. Na eleição presidencial de 2002, ele abandonou o companheiro de partido José Serra para entregar a faixa presidencial a Lula.
O ministro do STF Gilmar Mendes declarou que ladrões governavam o país. Segundo ele, o Brasil vivia sob uma cleptocracia nos governos do PT. Nesse contexto, a Operação Lava Jato condenou mais de 150 pessoas por corrupção. A lista inclui um ex-presidente da República, ministros de Estado, parlamentares, dirigentes de empresas públicas e de partidos políticos.
Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, conhecido como Chico de Oliveira, fundador do Partido dos Trabalhadores, declarou: “Lula é mais esperto do que você supõe” e “Lula não tem caráter, é um oportunista”. De fato, ele é muito esperto.
Hélio Bicudo, cofundador da mesma legenda, afirmou que Lula “usou o poder em benefício próprio” e se “enriqueceu ilicitamente”. Ele acrescentou: “Lula se corrompeu e corrompe a sociedade brasileira”. Por conta desses crimes, ele foi condenado na Operação Lava Jato.
Em depoimento judicial, donos das maiores empresas brasileiras confessaram o pagamento de milhões de reais em contas no exterior para os presidentes petistas. Esses empresários apresentaram provas e devolveram bilhões de reais aos cofres públicos por meio de acordos de leniência.
Vale a pena reproduzir um trecho do voto de Luís Roberto Barroso, ministro do STF à época da Operação Lava Jato: “Senhor Presidente, eu me permito observar que os números da atuação da 13ª Vara Federal de Curitiba são muito impressionantes. Foram 179 ações penais, com 553 denunciados. Houve 174 colaborações em primeira instância confirmadas em segunda instância. Celebraram-se 209 acordos de colaboração e 17 acordos de leniência. Foram devolvidos aos cofres públicos 4,3 bilhões de reais que haviam sido desviados. E os valores previstos para serem recuperados com os acordos de leniência das empresas que praticaram delitos atingem 12,7 bilhões de reais. Foi uma operação que revelou um quadro impressionante e assustador de corrupção do norte ao sul e de leste a oeste do Brasil. Um quadro de corrupção estrutural, sistêmica e institucionalizada. Compravam-se maiorias políticas com a corrupção. Almejavam-se cargos públicos para desvio de dinheiro e financiava-se a política e o próprio bolso com dinheiro público desviado. Além de estrutural, era uma corrupção sistêmica, porque uma engrenagem alimentava a outra. Não foram falhas individuais ou pequenas fraquezas humanas. Era um esquema profissional de arrecadação e de distribuição de dinheiro desviado. A obra superfaturada irrigava o pagamento do marqueteiro. A propina na obtenção do financiamento público irrigava o caixa dois da campanha. Tudo lavado em offshores não declaradas em sucessivas camadas de empresas de fachada para disfarçar a corrupção, um saque do povo brasileiro. Criou-se um mundo paralelo de esperteza e desonestidade que naturalizou as coisas erradas no país.”
Depois desse tempo nefasto, o Partido dos Trabalhadores volta ao poder em 2023. A Suprema Corte anula as condenações da Operação Lava Jato. Passamos a viver dias de vergonha, humilhação e intimidação, marcados por decisões judiciais que restringiram excessivamente a liberdade de expressão. Pasmem: isso ocorreu por iniciativa do próprio Poder Judiciário! O cenário estarrecia qualquer estudante de Direito. O guardião da Carta Magna, em vez de protegê-la, contribuía para sua violação. Parte da população se calou por medo da repressão judicial. Que momento negro! Que horror!
Nos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023, mais de mil pessoas foram conduzidas à Academia Nacional de Polícia Federal e permaneceram presas inicialmente. O episódio suscita questionamentos sobre a proporcionalidade das medidas adotadas e a individualização das responsabilidades.
Brasileiros vivem exilados nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália e em outros países. Por exemplo, Alexandre Ramagem, Ludimila Lins, Oswaldo Eustáquio, Eduardo Bolsonaro, dentre muitos outros. Há no Brasil, neste momento, presos políticos com destaque para o ex-presidente Jair Bolsonaro, General Braga Neto e Filipe Martins. Cleriston Pereira da Cunha morreu sob custódia do Estado, na prisão, em novembro de 2023. O episódio reforça a necessidade de apurar as circunstâncias da morte e as responsabilidades pertinentes. Hoje, 27/10/2026, Flávio Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos Estados Unidos, em meio a relatos de que pretende solicitar asilo político. Apenas sete minutos após a confirmação do resultado eleitoral, a Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do candidato derrotado à Presidência. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a medida naquela mesma noite.
O Judiciário impôs penas desproporcionais, a exemplo do caso de Débora Rodrigues dos Santos. O STF a condenou a 14 anos de prisão por pichar a estátua A Justiça. A condenação levanta dúvidas sobre a individualização das condutas. Decisões dessa natureza, quando excessivas ou desproporcionais, comprometem as garantias fundamentais e alimentam a percepção de que os Poderes da República disseminaram o terror.
Lutamos desde agosto de 2016. Infelizmente, parte da população brasileira sofre de severa cegueira ideológica, uma doença mental grave, fruto de disfunção cognitiva e desvio moral. Uma mistura de loucura com psicopatia coletiva. Alguns agem por má-fé. Outros caíram em engano e, por orgulho e apego emocional, rejeitam a verdade. Mas vamos resgatar essas pessoas do esquerdismo, embora o processo exija tempo.
Os maiores veículos de comunicação sabiam dos fatos e agiram com conivência. A exemplo do que ocorreu na Alemanha de 1929 com Alfred Hugenberg, aqui no Brasil, percebia-se que havia uma aliança entre os grandes canais de comunicação para ocultar os atos praticados pelo governo. Um estudo publicado em 2021, intitulado Perfil do Jornalista Brasileiro, revelou a orientação ideológica dos jornalistas. A pesquisa foi realizada por profissionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). O levantamento indicou que cerca de 80,7% dos profissionais se identificaram com a esquerda, a centro-esquerda ou a extrema-esquerda, enquanto apenas 4% se alinham com a direita, a centro-direita ou a extrema-direita.
A Alemanha consolidou um Estado totalitário em 1933 com apoio popular e institucional. No Brasil, esta eleição aponta para um cenário semelhante e para a repetição de mais um Adolf Hitler. O atual presidente perdeu o discernimento entre o certo e o errado, cego pelo projeto pessoal de poder e ódio. A gestão do PT esteve associada a grandes escândalos de corrupção, cuja dimensão e responsabilidade foram examinadas pela Justiça em Curitiba, com condenações confirmadas pelo respectivo tribunal e chanceladas pelo Superior Tribunal de Justiça.
A eleição de 2026 levou embora a esperança de um país rumo à prosperidade. Pensávamos que aquela era a oportunidade de virar essa página obscura. Constatamos a dificuldade de vencer a mentira com a verdade e vencer o ódio com o respeito. É difícil convencer o eleitor fanático a ouvir opiniões opostas e compreender a origem da intolerância. Infelizmente, o povo não conseguiu superar a força sistêmica dos três poderes da República. Que eleição desafiadora! Perdemos a possibilidade de sonhar novamente. Como é árduo convencer uma pessoa apaixonada por seu líder político, mesmo que ele seja corrupto! Descobrimos como nasce a hostilidade entre as pessoas. Com a derrota do povo nesta eleição para os três poderes da República, hoje podemos dizer: o povo ainda não é soberano.
A esquerda planejou essa estratégia minuciosamente e aplicou uma cartilha comunista no Brasil nos últimos 60 anos. Assim, com paciência, os militantes de hoje declaram, nas palavras de Lula, que ser chamado de comunista pode ser motivo de orgulho. Em dezembro de 2023, ao comentar a indicação de Flávio Dino ao STF, Lula celebrou: “Pela primeira vez na história deste país, nós conseguimos colocar, na Suprema Corte deste país, um ministro comunista, o companheiro da qualidade do Flávio Dino”.
O comunismo deveria ser eliminado do Brasil, a exemplo do que ocorreu na Polônia. O artigo 13 da Constituição polonesa de 1997 proíbe a existência de partidos políticos cujos programas se baseiem em métodos e práticas totalitários associados ao nazismo, ao fascismo e ao comunismo. Em 2025, o Tribunal Constitucional polonês baniu o partido comunista do país, sob o fundamento de que a ideologia é incompatível com os valores democráticos.
No Brasil, a democracia das urnas venceu mais uma vez. Mas não a democracia do povo.