Introdução
Ao longo dos séculos, as nações firmaram acordos por razões políticas, territoriais e econômicas. Um dos mais conhecidos foi o Tratado de Versalhes, assinado após a Primeira Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes recebeu esse nome em referência ao palácio francês onde Guilherme I, rei da Prússia, foi proclamado imperador da Alemanha, em 18 de janeiro de 1871, após a vitória na Guerra Franco-Prussiana. O documento foi assinado pela Alemanha no Salão dos Espelhos do palácio, em 28 de junho de 1919, e estabeleceu as condições de paz impostas pelos Aliados ao país derrotado.
O Tratado de Versalhes pode ser considerado um dos fatores que contribuíram para a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Sua elaboração refletiu as exigências dos vencedores, que impuseram à Alemanha condições de paz que alimentaram o ressentimento de parte da população alemã e estabeleceram cláusulas de difícil aplicação prática.
Inicialmente, examinaremos os interesses envolvidos na Primeira Guerra Mundial e as razões pelas quais as principais nações participaram do conflito. Segundo Eric Hobsbawm, o crescimento econômico entre as potências europeias contribuiu para intensificar as rivalidades que levaram à guerra. Por isso, nossa análise dará ênfase aos interesses econômicos envolvidos no conflito, sem desconsiderar os aspectos políticos e militares.
As consequências do tratado para a Alemanha foram profundas. Quais interesses orientaram sua elaboração? Como o povo alemão reagiu às condições impostas? Como vivia a população alemã após o fim da guerra? Quais mudanças o conflito provocou no continente europeu? Este trabalho buscará responder a essas questões.
O Tratado de Versalhes resultou de decisões políticas que impuseram duras condições à Alemanha. A Primeira Guerra deixou profundas consequências humanas, econômicas e territoriais. Apesar dos esforços para estabelecer uma nova ordem internacional, o continente europeu voltou a enfrentar uma guerra de grandes proporções. Em 1939, apenas vinte anos após a assinatura do tratado, começou a Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha no centro do conflito.
O Tratado de Versalhes e suas principais cláusulas
O Tratado de Versalhes estabeleceu as condições de paz impostas à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. O armistício de 11 de novembro de 1918 havia suspendido as hostilidades, mas as negociações para definir a paz prosseguiram até a assinatura do tratado, em 28 de junho de 1919.
O Tratado de Versalhes continha 440 artigos, além do protocolo e de outros documentos anexos. Entre suas disposições, o artigo 231 estabeleceu a responsabilidade da Alemanha e de seus aliados pelas perdas e pelos danos decorrentes da guerra, fundamento jurídico das reparações exigidas. Artigo 231: “Os governos aliados e associados declararam e a Alemanha reconhece-o, que a Alemanha e seus aliados são os responsáveis, como autores por todos os prejuízos e danos sofridos pelos governos aliados e seus nacionais, em virtude da guerra que lhes foi imposta pela agressão da Alemanha e seus aliados”.
Os países assinaram o Tratado em 28 de junho de 1919. A Alemanha restituiu a Alsácia e a Lorena à França. Além disso, os franceses exploraram a bacia do Sarre por quinze anos. Depois, um plebiscito definiu o domínio daquela região. Os vencedores também dividiram a Prússia Oriental, a Alta Silésia e as colônias alemãs. Eles exploraram essas áreas como reparação de guerra. Por fim, em 1921 a Alemanha assumiu uma dívida de 132 bilhões de marcos-ouro. O país pagou o valor em cotas durante 30 anos.
Outras condições ainda:
- Menos de 6 milhões de habitantes;
- Perdas de todas as colônias;
- Ruína financeira, falência dos investimentos;
- Perda de 10% da riqueza nacional;
- Perda do ferro e potássio da Alsácia – Lorena;
- Perda das indústrias da Silésia;
- Perda de 65% de ferro, 45% do carvão; 72% de zinco, 57% do estanho; 15% da agricultura e 10% das fábricas;
- Redução da Marinha mercante;
- Não renovação dos tratados comerciais;
- Exército reduzido a 100.000 homens;
- Desmilitarização do Reno;
- Proibição de produzir armas e munições;
Histórico
A Primeira Guerra Mundial teve como estopim o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro, e de sua esposa, Sofia, em Sarajevo, em 28 de junho de 1914. O autor do atentado foi Gavrilo Princip, um nacionalista sérvio-bósnio ligado ao movimento Jovem Bósnia. O episódio desencadeou uma crise diplomática que culminou no início da guerra.
Após o assassinato, o governo austro-húngaro responsabilizou a Sérvia e apresentou-lhe um ultimato em 23 de julho de 1914, com prazo de 48 horas para resposta. O governo sérvio aceitou grande parte das exigências, mas rejeitou ou condicionou algumas delas. Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. A mobilização russa em apoio aos sérvios ampliou a crise, enquanto a aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria e os compromissos diplomáticos entre as potências contribuíram para a expansão do conflito.
A França mobilizou suas forças em meio à escalada da crise e à ameaça alemã. A recuperação da Alsácia-Lorena, perdida em 1871, integrava os objetivos de parte da liderança francesa. A declaração alemã de guerra à França, em 3 de agosto de 1914, e a invasão da Bélgica contribuíram para ampliar o conflito e envolver o Reino Unido.
A paz global durou quase um século. Apenas a breve Guerra da Crimeia (1854-1856) quebrou essa regra. O embate envolveu a Rússia contra a França e a Grã-Bretanha. De 1871 a 1914, as grandes potências europeias evitaram guerras diretas. O continente registrou apenas conflitos regionais, como a Guerra Russo-Turca e as disputas Balcânicas. Na Primeira Guerra Mundial, Espanha, Países Baixos, Suíça e as três nações escandinavas permaneceram neutras. Assim, os demais Estados entraram na disputa.