16 agosto 2020

Profetas Verdadeiros e Falsos

O falso profeta atua livremente hoje, assim como no passado. Ele sempre caminha ao lado do mensageiro de Deus. Ambos coexistem em extremos opostos. Afinal a raiz desse conflito reside na guerra invisível que envolve o Criador e um anjo rebelde. Deus permitiu o avanço da rebelião para o universo ver a essência da maldade. O apóstolo João explica que Cristo morreu na cruz para desfazer as obras do diabo (1 João 3:8). O anjo caído fundou o seu império de maldade na Terra. Ele governa o mundo por meio de seres humanos. Esses agentes terrenos disfarçam-se de profetas autênticos.

O confronto entre profetas vem da antiguidade. Jeremias enfrentou Hananias, segundo o capítulo 28 de seu livro. Assim também, Micaías resistiu a Zedequias, conforme o capítulo 22 de 1 Reis. Depois, Paulo repreendeu Elimas no relato de Atos 13. Os mensageiros reconhecem os seus próprios mestres. Contudo, o povo enfrenta um grande desafio para discernir a origem exata dessas mensagens.

A identificação de um profeta exige critérios claros. O profeta Isaías estabeleceu a primeira regra: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, jamais verão a luz do alvorecer” (Isaías 8:20). Portanto, o profeta autêntico guarda a lei divina e vive por ela. Além disso, o verdadeiro mensageiro defende a vigência dos mandamentos e ensina o caminho teológico correto. O capítulo 13 de 1 Reis demonstra essa necessidade de obediência imediata.

Em segundo lugar, a predição precisa acontecer. O mensageiro pertence a Deus quando a profecia se realiza.

Por fim, as profecias verdadeiras anunciam juízos e reprovam os vícios humanos. Logo, promessas exclusivas de paz exigem extrema cautela, uma vez que o engano atua como a principal arma do inimigo. A escritora Ellen White alerta sobre esse perigo no volume 4 do livro Testemunhos Seletos: “Há muitos falsos profetas em nossos dias...”. Na sequência, ela afirma que o pecado parece inofensivo para essas pessoas. Desse modo, esses falsos mestres criticam as advertências divinas e embalam os pecadores com ensinos suaves. De maneira semelhante, sacerdotes corruptos seduziram o antigo Israel com discursos favoráveis no passado. A promessa de riqueza agradava muito mais do que o apelo profético ao arrependimento.

Ignore o falso profeta e mantenha a tranquilidade. Ele carece de crédito. Contudo, preste atenção à voz do Céu para a sua vida. Você atua como um espião divino neste mundo escuro. Portanto, abrace essa responsabilidade. Obedeça prontamente à palavra do Senhor e transmita a mensagem com firmeza. Os profetas do inimigo agem com eficiência e dedicação. Da mesma forma, cumpra a sua missão com coragem e entrega. Arrisque a vida pela verdade, já que habitamos o terreno do adversário. A escritora Ellen White recomenda vigilância constante: “O presente dever de todo verdadeiro filho de Deus é aguardar pacientemente, vigiar atentamente e trabalhar fielmente...” (General Conference Bulletin de 1896).

Em suma, poupe a sua energia e afaste-se do combate inútil contra as falsidades. O apóstolo Paulo orientou Timóteo sobre essa conduta (2 Timóteo 4:2). Ele ordenou a pregação constante da Escritura. Também instruiu a correção, a repreensão e a exortação com doutrina e paciência. Paulo avisou sobre o tempo de rejeição da verdade. As multidões buscarão mestres conforme os próprios desejos. As pessoas trocarão o evangelho pelas fábulas. Diante disso, o apóstolo encerra o assunto com uma ordem direta: "Mas você seja sóbrio em todas as coisas, suporte as aflições, faça o trabalho de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério”.

09 agosto 2020

Delação premiada

A delação premiada, ou colaboração premiada, ganhou forma no Brasil com a Lei 12.850/13. O instituto pressupõe a colaboração do investigado ou acusado com as autoridades. Ele fornece detalhes sobre os crimes, identifica os parceiros envolvidos e contribui para o esclarecimento dos fatos. Em troca, o delator recebe os benefícios previstos em lei. A legislação busca fortalecer a investigação contra organizações criminosas. O instituto ganhou grande destaque durante a Operação Lava Jato. Naquele período, graves esquemas de corrupção vieram à tona e marcaram a história recente do país. A corrupção roubou recursos, comprometeu instituições e feriu a esperança, a dignidade e a confiança de milhões de brasileiros. Foi um capítulo vergonhoso na história brasileira.


O Estado apodreceu com a corrupção. Esse mal espalhou-se pelos poderes da República. Líderes políticos, empresários e altos servidores públicos formaram uma rede criminosa. Essas pessoas deveriam zelar pela justiça, pela verdade e pela probidade. Em vez disso, atuaram como parasitas e drenaram os recursos do país. As palavras falham ao descrever a falência moral desses indivíduos. Eles destruíram os pilares da nossa sociedade. Os protetores da lei viraram coautores dos delitos. Felizmente, a ação divina descortinou parte desses escândalos. O dinheiro de empresários corruptos comprava o silêncio de autoridades e servidores públicos. Hoje, o país sofre as consequências. A nação caminha sem crédito, ferida e cheia de dívidas por causa de tantos desvios. Essas pessoas mostraram total indignidade perante a vida que receberam.


Muitos podem escapar dos tribunais humanos. Contudo, todos enfrentarão a própria consciência e o juízo de Deus. Cada pessoa prestará contas de seus atos diante do Criador. Nesse tribunal, a verdade prevalecerá. As máscaras cairão, as desculpas cessarão e cada ser humano compreenderá plenamente a realidade de sua própria condenação ou absolvição.


A justiça humana utiliza a colaboração premiada como instrumento no processo penal. Em sentido figurado, podemos encontrar uma comparação com o caminho que Deus oferece ao pecador. O primeiro passo é o arrependimento. O pecador precisa reconhecer o próprio erro e decidir abandonar o caminho que o afastou de Deus. O apóstolo Pedro pregou essa mensagem em Jerusalém: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus para que os seus pecados sejam cancelados” (Atos 3:19).


O segundo passo é a confissão. Evite pedidos genéricos de perdão. A verdadeira confissão exige sinceridade e reconhecimento das próprias faltas. O pecador precisa identificar seus erros e assumir a responsabilidade por suas escolhas.
Confessar a Deus significa reconhecer o pecado, abandonar as justificativas e buscar a reconciliação com as pessoas feridas pelas atitudes. O arrependimento genuíno produz frutos. Quem reconhece o mal que praticou deve, na medida do possível, reparar os prejuízos e mudar sua conduta.


Depois do arrependimento e da confissão, vem a conversão. O apóstolo Pedro chama o ser humano a voltar-se para Deus. Converter-se significa mudar de direção. O convertido deixa o mau caminho e escolhe uma nova forma de viver.
Por fim, há o Advogado. Ele exerce papel fundamental nesse processo. Jesus Cristo conhece perfeitamente a condição humana e oferece defesa aos pecadores. A mensagem do Evangelho é clara: há esperança para quem reconhece seus erros e busca uma nova vida.


Cristo conhece a lei de Deus e também as fraquezas humanas. Ele é o único mediador e advogado diante do Pai. Por isso, a oportunidade de reconciliação está aberta. Aproveite essa oportunidade. Faça uma oração. Peça socorro. Reconheça seus erros. Arrependa-se, confesse, mude de direção e siga aquele que declarou ser “o Caminho, a Verdade e a Vida”.
A escolha continua diante de cada um de nós.

02 agosto 2020

Missão impossível

Uma boa assessoria é importante para alcançar sucesso em um empreendimento. Contar com profissionais qualificados nas áreas jurídica, contábil, administrativa e de marketing, além de alguém que domine os códigos da linguagem, é o básico. Planejamento e assessoria de qualidade são fundamentais para alcançar bons resultados.

Quando li a ordem de Jesus Cristo aos discípulos de ir por todo o mundo, pregar o Evangelho, batizar e fazer discípulos, a tarefa pareceu impossível. A equipe de Jesus, aos olhos humanos, era pouco qualificada. O membro mais instruído abandonou a equipe. Havia pessoas sem domínio dos conhecimentos básicos. Mateus talvez fosse o melhor em matemática. Os outros falavam mal até o idioma local. Eles eram poucos e dispunham de recursos financeiros limitados para custear uma viagem curta, quanto mais para obedecer à ordem de ir por todo o mundo.

De fato, a missão era impossível para aqueles discípulos. Ela continua impossível para qualquer equipe de hoje. Deus espera apenas nossa disposição para ir. A missão era e continua sendo do Espírito Santo. Somos apenas testemunhas.

O livro de Atos dos Apóstolos poderia receber o nome de Atos do Espírito Santo. O capítulo 8, verso 29, registra: “…disse o Espírito Santo a Felipe.” Outro texto afirma: “…pareceu bem ao Espírito Santo…” (Atos 15:28). Um terceiro relato diz: “tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia…” (Atos 16:6). Tudo isso cumpria a promessa de Cristo sobre o envio do Espírito Santo para ensinar todas as coisas (João 14:26). O Espírito Santo atua como professor, guia e pregador.

Converter o pecador de seu mau caminho é obra exclusiva do Espírito de Deus. Nossa parte consiste em testemunhar sobre a mudança que Ele operou em nossa vida. O Espírito Santo capacita para o testemunho, guia, prepara e abre portas. Também é importante lembrar que o Espírito Santo inspirou o texto bíblico. Por isso, somente Ele pode levar alguém à verdadeira compreensão das Escrituras. O poder está na Bíblia, e não em nossa argumentação ou capacidade teológica.

Que tenhamos o privilégio de cooperar com o Espírito Santo. Vamos alcançar os perdidos para Cristo por meio do nosso testemunho.

(Texto baseado na Lição da Escola Sabatina: "Fazendo amigos para Deus – A alegria de participar de Sua Missão", CPB, 2020).