12 outubro 2026

A Soberania Divina na Geopolítica

O profeta Jeremias registrou: “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força” (Jeremias17:5). O contexto geopolítico do Oriente Médio, por volta do ano 600 a.C., ajuda a compreender essa passagem bíblica.

O Império Assírio perdia força, enquanto o Império Neobabilônico ascendia. O Egito era aliado da Assíria. Judá ocupava uma posição estratégica entre as duas potências e preferia aliança com os babilônios; talvez porque desde 722 a.C. os Assírios invadiram e dominaram o norte de Israel por décadas. O reino de Judá situava-se em uma rota entre a Mesopotâmia e o Egito.
O Faraó Neco II marchou pelo território de Judá para socorrer a Assíria diante do avanço babilônio. No livro de 2 Crônicas 35, o rei Josias de Judá, por razões políticas, estratégicas e de aliança regional, interceptou o exército egípcio e enfrentou faraó Neco na planície de Megido, embora o faraó afirmasse que seu objetivo era combater os babilônios em apoio aos assírios (2 Crônicas 35: 21). Josias morreu nessa batalha e seu filho Jeoacaz o sucedeu no trono.
Em 605 a.C., Nabucodonosor II derrotou o exército de Faraó Neco II às margens do rio Eufrates na cidade de Carquemis, próximo à atual fronteira entre a Turquia e a Síria (Jeremias 46:2).
Após a morte de Josias, Neco II destituiu Jeoacaz e colocou seu irmão Eliaquim no trono, mudando-lhe o nome para Jeoaquim (2 Crônicas 36:4). A vitória de Nabucodonosor em Carquemis consolidou o domínio babilônio na região. Como consequência, Jeoaquim passou a prestar lealdade a Nabucodonosor e a pagar tributos à Babilônia em vez do Egito. Esse momento também marcou o início das deportações de judeus para a Babilônia. Segundo o relato bíblico de Daniel 1, Daniel e outros jovens foram levados cativos. Enquanto ainda atuava na região, Nabucodonosor recebeu a notícia da morte de seu pai, Nabopolassar, e retornou à Babilônia para assumir o trono.
Anos mais tarde, Judá se rebelou contra o domínio babilônio, na expectativa de receber apoio egípcio. As revoltas e campanhas militares subsequentes resultaram em novas deportações, especialmente nos anos de 597 a.C., e na destruição de Jerusalém em 586 a.C.
Por volta do ano 606 a.C., Deus revelou ao profeta Habacuque que levantaria o Império Babilônio como instrumento de juízo (Habacuque 1:6): “Estou levantando os caldeus, um povo cruel e violento. Eles marcharão por todo o mundo e conquistarão outras terras”. Na mesma época, Jeremias 25:9 declarou: “Reunirei todos os exércitos do norte sob o comando de meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia” e Jeremias 27:6 “agora entregarei suas nações a meu servo, Nabucodonosor, rei de Babilônia”. Essas mensagens provocaram forte oposição a Jeremias. Muitos entendiam sua exortação como uma ameaça aos interesses nacionais. Ele era considerado traidor da pátria, conforme os capítulos 37 e 38 de seu livro.
Nos últimos dias Deus conduzirá a história da mesma forma como fez no passado. Os Estados Unidos desempenharão um papel relevante nos acontecimentos finais. Apocalipse (13:11) representa o país como um poder com aparência de cordeiro e voz de dragão. A figura de linguagem remete a dois princípios associados à sua formação: liberdade política e a liberdade religiosa. A profecia adverte que essa potência acabará por agir de modo contrário à aparência inicial.
De modo semelhante, o Brasil ocupa uma posição relevante no cenário geopolítico contemporâneo, marcado pela disputa de influência entre China e Estados Unidos. Esta eleição presidencial decidirá o alinhamento geopolítico brasileiro. O atual presidente mantém relações políticas e econômicas com a China, enquanto o concorrente Flávio Bolsonaro declara alinhamento com os Estados Unidos. Independentemente do resultado das urnas e dos interesses das grandes potências, Deus continua soberano sobre a história humana e conduzirá os acontecimentos de acordo com seus propósitos revelados nas profecias bíblicas.