O falso profeta atua livremente hoje, assim como no passado. Ele sempre caminha ao lado do mensageiro de Deus. Ambos coexistem em extremos opostos. Afinal a raiz desse conflito reside na guerra invisível que envolve o Criador e um anjo rebelde. Deus permitiu o avanço da rebelião para o universo ver a essência da maldade. O apóstolo João explica que Cristo morreu na cruz para desfazer as obras do diabo (1 João 3:8). O anjo caído fundou o seu império de maldade na Terra. Ele governa o mundo por meio de seres humanos. Esses agentes terrenos disfarçam-se de profetas autênticos.
O confronto entre profetas vem da antiguidade. Jeremias enfrentou Hananias, segundo o capítulo 28 de seu livro. Assim também, Micaías resistiu a Zedequias, conforme o capítulo 22 de 1 Reis. Depois, Paulo repreendeu Elimas no relato de Atos 13. Os mensageiros reconhecem os seus próprios mestres. Contudo, o povo enfrenta um grande desafio para discernir a origem exata dessas mensagens.
A identificação de um profeta exige critérios claros. O profeta Isaías estabeleceu a primeira regra: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, jamais verão a luz do alvorecer” (Isaías 8:20). Portanto, o profeta autêntico guarda a lei divina e vive por ela. Além disso, o verdadeiro mensageiro defende a vigência dos mandamentos e ensina o caminho teológico correto. O capítulo 13 de 1 Reis demonstra essa necessidade de obediência imediata.
Em segundo lugar, a predição precisa acontecer. O mensageiro pertence a Deus quando a profecia se realiza.
Por fim, as profecias verdadeiras anunciam juízos e reprovam os vícios humanos. Logo, promessas exclusivas de paz exigem extrema cautela, uma vez que o engano atua como a principal arma do inimigo. A escritora Ellen White alerta sobre esse perigo no volume 4 do livro Testemunhos Seletos: “Há muitos falsos profetas em nossos dias...”. Na sequência, ela afirma que o pecado parece inofensivo para essas pessoas. Desse modo, esses falsos mestres criticam as advertências divinas e embalam os pecadores com ensinos suaves. De maneira semelhante, sacerdotes corruptos seduziram o antigo Israel com discursos favoráveis no passado. A promessa de riqueza agradava muito mais do que o apelo profético ao arrependimento.
Ignore o falso profeta e mantenha a tranquilidade. Ele carece de crédito. Contudo, preste atenção à voz do Céu para a sua vida. Você atua como um espião divino neste mundo escuro. Portanto, abrace essa responsabilidade. Obedeça prontamente à palavra do Senhor e transmita a mensagem com firmeza. Os profetas do inimigo agem com eficiência e dedicação. Da mesma forma, cumpra a sua missão com coragem e entrega. Arrisque a vida pela verdade, já que habitamos o terreno do adversário. A escritora Ellen White recomenda vigilância constante: “O presente dever de todo verdadeiro filho de Deus é aguardar pacientemente, vigiar atentamente e trabalhar fielmente...” (General Conference Bulletin de 1896).
Em suma, poupe a sua energia e afaste-se do combate inútil contra as falsidades. O apóstolo Paulo orientou Timóteo sobre essa conduta (2 Timóteo 4:2). Ele ordenou a pregação constante da Escritura. Também instruiu a correção, a repreensão e a exortação com doutrina e paciência. Paulo avisou sobre o tempo de rejeição da verdade. As multidões buscarão mestres conforme os próprios desejos. As pessoas trocarão o evangelho pelas fábulas. Diante disso, o apóstolo encerra o assunto com uma ordem direta: "Mas você seja sóbrio em todas as coisas, suporte as aflições, faça o trabalho de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério”.