A República de Weimar
Na pequena cidade de Weimar, com cerca de 6 mil habitantes, caiu o Império e nasceu a República. No dia 11 de fevereiro, a Assembleia Constituinte realizou sua primeira tarefa: eleger um presidente. O eleito foi o social-democrata Friedrich Ebert. Ele tinha pela frente dois grandes desafios: redigir uma Constituição e assinar o acordo de paz.
Os deputados tinham diante de si esse assunto espinhoso para decidir: a paz com os vencedores. Após muitas discussões e até mesmo demissões motivadas pela recusa ao tratado, a Assembleia aprovou o acordo por 237 votos contra 138. Poucos dias depois, Hermann Müller, ministro das Relações Exteriores, chegou a Versalhes em 28 de junho de 1919. Uma nova Constituição foi promulgada em 11 de agosto de 1919, durante a presidência de Ebert, e permaneceu em vigor até 1933, com a ascensão de Hitler ao poder.
“De qualquer maneira, ratificado o Tratado de Versalhes após muitas discussões, e votada a nova constituição, o papel da cidade onde repousavam Goethe e Schiller terminara… Weimar não simbolizava mais a herança cultural clássica… nos espíritos, ela invocava infalivelmente as palavras ‘capitulação’, ‘aviltamento’ e ‘fraqueza’… Os nacionalistas, depois os nazistas, logo aprenderam a tirar dali a iniciação à desforra e, de novo, à guerra.” (Richard, 1988, p. 55).
Coube a essa República unificar os 17 Estados que restaram dos 25 existentes durante o regime imperial. Para Lionel Richard, os dirigentes franceses tinham a intenção de dividir a Alemanha, limitando seu poder econômico e militar, e de permitir que a França reativasse sua economia com as riquezas do solo alemão (Richard, 1988, p. 64).
Surge o nacionalismo alemão
Em meio à desordem social produzida por levantes, greves e epidemias, grande parte da população alemã do pós-guerra ficou passiva diante das mudanças territoriais trazidas pelo Tratado de Versalhes. Contudo, uma minoria de descontentes organizava passeatas e manifestos antirrepublicanos. Organizações secretas planejavam atentados e atos de resistência ao acordo de paz. Como as dificuldades econômicas eram grandes, um número cada vez maior de alemães, até então indiferentes, tornou-se sensível aos argumentos nacionalistas. Esses problemas de fronteira tornaram-se bandeiras de campanha dos partidos de extrema direita, que levaram Hitler ao poder em 1933.
“A Alemanha não se define simplesmente pelas fronteiras do Tratado de Versalhes, por uns 60 milhões de cidadãos espalhados sobre 472.082 quilômetros quadrados em lugar de 540.858; ela é também formada pelos 2,2 milhões de alemães que vivem na Polônia, 4,7 milhões na Romênia, 250.000 na Itália e 1,5 milhão na Alsácia. Os nacionalistas põem em destaque esses argumentos nos seus slogans.” (Richard, 1988, p. 68).
Essa nova maneira de ver o território alemão, que levava em consideração a presença de sua população em outros países, vivificou ainda mais o sentimento nacionalista. Milhares de exemplares do Tratado de Versalhes eram distribuídos, o que aumentava o ódio contra o diktat. Esse sentimento era direcionado à França, responsável, diziam eles, por todas as mazelas pelas quais passava o povo alemão.