09 novembro 2020

The Great Reset

Nunca acreditei na história de almoço grátis. Esse tipo de proposta costuma aparecer em frases conhecidas: “Vamos cuidar de você”. “Use máscara”. “Não saia de casa”. “Agora pode sair, mas precisa tomar a vacina”. “Apresente seu cartão de vacina para receber seu salário ou para fazer compras”. Será que é possível confiar na espécie humana atual? Boa parte da sociedade do século XXI retrata com precisão a descrição de 2 Timóteo 3:1-4.

Os líderes do Fórum Econômico Mundial aproveitaram o pretexto da pandemia de Covid-19 para propor uma nova ordem para a economia e para o planeta. Sob o argumento de proteger a vida e o meio ambiente, surge um suposto “Grande Reset”. A ideia é reiniciar tudo e recomeçar do jeito deles. Diante desse cenário, algumas perguntas surgem naturalmente: a quem interessa esse recomeço? O que existe por trás do discurso de governantes e empresários bilionários? Qual é o verdadeiro jogo? Ao final, o objetivo deles é controlar as pessoas como um rebanho.

É sabido que poucos homens detêm o domínio político e econômico global. Embora se sintam poderosos, eles carregam vaidade e se tornam alvos fáceis para a manipulação de uma mente não humana, como descreve o Apóstolo Paulo em Efésios 6:12. Eles garantem que mandam em tudo. No entanto, esses líderes servem apenas como instrumentos para o cumprimento das profecias bíblicas escritas há dois mil anos.

Certamente, esse movimento político trará consequências econômicas, sociais e religiosas. O povo de Deus interpretará os fatos pela cosmovisão bíblica. Nenhuma leitura dos fatos é neutra, sob qualquer ângulo. Por isso, a lente das Escrituras ilumina os fatos atuais a partir das profecias sagradas.

A Bíblia prevê a união entre os poderes político e religioso, cada qual com objetivos próprios. Eles se apresentarão com aparência de bondade, como cordeiros, mas atuarão como dragões. Atualmente, surgem vozes em favor de um governo global com o discurso de segurança, paz e prosperidade. A meta real, contudo, é a padronização da pobreza para transformar pessoas em consumidores manipuláveis. Esse governo mundial busca o controle sobre uma sociedade sem rumo que se distanciou do Deus da Bíblia.

A pandemia guarda características de uma estratégia planejada para gerar medo, impor o monitoramento e o controle social. Essa conduta segue a velha tática de criar dificuldades para vender facilidades. Assim, dominadas pelo temor, as pessoas entregam a própria liberdade em troca de sobrevivência.

O Grande Reset acontecerá de qualquer forma. Se a ação humana falhar, a intervenção divina agirá. A mensagem principal da Bíblia para este tempo aponta para o regresso do Messias e a restauração da ordem mundial. Jesus Cristo estabelecerá o seu reino universal, conforme revela o capítulo 2 do livro de Daniel. Esse sim será o governo definitivo sobre um novo céu e uma nova Terra, onde a justiça habita e o sofrimento não existe.

Resta aos filhos obedientes de Deus a promessa registrada em Isaías 41:10: "Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo; eu os protejo com a minha forte mão". Diante dessa certeza, que venha o Grande Reset!

16 agosto 2020

Profetas Verdadeiros e Falsos

O falso profeta atua livremente hoje, assim como no passado. Ele sempre caminha ao lado do mensageiro de Deus. Ambos coexistem em extremos opostos. Afinal a raiz desse conflito reside na guerra invisível que envolve o Criador e um anjo rebelde. Deus permitiu o avanço da rebelião para o universo ver a essência da maldade. O apóstolo João explica que Cristo morreu na cruz para desfazer as obras do diabo (1 João 3:8). O anjo caído fundou o seu império de maldade na Terra. Ele governa o mundo por meio de seres humanos. Esses agentes terrenos disfarçam-se de profetas autênticos.

O confronto entre profetas vem da antiguidade. Jeremias enfrentou Hananias, segundo o capítulo 28 de seu livro. Assim também, Micaías resistiu a Zedequias, conforme o capítulo 22 de 1 Reis. Depois, Paulo repreendeu Elimas no relato de Atos 13. Os mensageiros reconhecem os seus próprios mestres. Contudo, o povo enfrenta um grande desafio para discernir a origem exata dessas mensagens.

A identificação de um profeta exige critérios claros. O profeta Isaías estabeleceu a primeira regra: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, jamais verão a luz do alvorecer” (Isaías 8:20). Portanto, o profeta autêntico guarda a lei divina e vive por ela. Além disso, o verdadeiro mensageiro defende a vigência dos mandamentos e ensina o caminho teológico correto. O capítulo 13 de 1 Reis demonstra essa necessidade de obediência imediata.

Em segundo lugar, a predição precisa acontecer. O mensageiro pertence a Deus quando a profecia se realiza.

Por fim, as profecias verdadeiras anunciam juízos e reprovam os vícios humanos. Logo, promessas exclusivas de paz exigem extrema cautela, uma vez que o engano atua como a principal arma do inimigo. A escritora Ellen White alerta sobre esse perigo no volume 4 do livro Testemunhos Seletos: “Há muitos falsos profetas em nossos dias...”. Na sequência, ela afirma que o pecado parece inofensivo para essas pessoas. Desse modo, esses falsos mestres criticam as advertências divinas e embalam os pecadores com ensinos suaves. De maneira semelhante, sacerdotes corruptos seduziram o antigo Israel com discursos favoráveis no passado. A promessa de riqueza agradava muito mais do que o apelo profético ao arrependimento.

Ignore o falso profeta e mantenha a tranquilidade. Ele carece de crédito. Contudo, preste atenção à voz do Céu para a sua vida. Você atua como um espião divino neste mundo escuro. Portanto, abrace essa responsabilidade. Obedeça prontamente à palavra do Senhor e transmita a mensagem com firmeza. Os profetas do inimigo agem com eficiência e dedicação. Da mesma forma, cumpra a sua missão com coragem e entrega. Arrisque a vida pela verdade, já que habitamos o terreno do adversário. A escritora Ellen White recomenda vigilância constante: “O presente dever de todo verdadeiro filho de Deus é aguardar pacientemente, vigiar atentamente e trabalhar fielmente...” (General Conference Bulletin de 1896).

Em suma, poupe a sua energia e afaste-se do combate inútil contra as falsidades. O apóstolo Paulo orientou Timóteo sobre essa conduta (2 Timóteo 4:2). Ele ordenou a pregação constante da Escritura. Também instruiu a correção, a repreensão e a exortação com doutrina e paciência. Paulo avisou sobre o tempo de rejeição da verdade. As multidões buscarão mestres conforme os próprios desejos. As pessoas trocarão o evangelho pelas fábulas. Diante disso, o apóstolo encerra o assunto com uma ordem direta: "Mas você seja sóbrio em todas as coisas, suporte as aflições, faça o trabalho de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério”.

09 agosto 2020

Delação premiada

A delação premiada, ou colaboração premiada, ganhou forma no Brasil com a Lei 12.850/13. O instituto pressupõe a colaboração do investigado ou acusado com as autoridades. Ele fornece detalhes sobre os crimes, identifica os parceiros envolvidos e contribui para o esclarecimento dos fatos. Em troca, o delator recebe os benefícios previstos em lei. A legislação busca fortalecer a investigação contra organizações criminosas. O instituto ganhou grande destaque durante a Operação Lava Jato. Naquele período, graves esquemas de corrupção vieram à tona e marcaram a história recente do país. A corrupção roubou recursos, comprometeu instituições e feriu a esperança, a dignidade e a confiança de milhões de brasileiros. Foi um capítulo vergonhoso na história brasileira.


O Estado apodreceu com a corrupção. Esse mal espalhou-se pelos poderes da República. Líderes políticos, empresários e altos servidores públicos formaram uma rede criminosa. Essas pessoas deveriam zelar pela justiça, pela verdade e pela probidade. Em vez disso, atuaram como parasitas e drenaram os recursos do país. As palavras falham ao descrever a falência moral desses indivíduos. Eles destruíram os pilares da nossa sociedade. Os protetores da lei viraram coautores dos delitos. Felizmente, a ação divina descortinou parte desses escândalos. O dinheiro de empresários corruptos comprava o silêncio de autoridades e servidores públicos. Hoje, o país sofre as consequências. A nação caminha sem crédito, ferida e cheia de dívidas por causa de tantos desvios. Essas pessoas mostraram total indignidade perante a vida que receberam.


Muitos podem escapar dos tribunais humanos. Contudo, todos enfrentarão a própria consciência e o juízo de Deus. Cada pessoa prestará contas de seus atos diante do Criador. Nesse tribunal, a verdade prevalecerá. As máscaras cairão, as desculpas cessarão e cada ser humano compreenderá plenamente a realidade de sua própria condenação ou absolvição.


A justiça humana utiliza a colaboração premiada como instrumento no processo penal. Em sentido figurado, podemos encontrar uma comparação com o caminho que Deus oferece ao pecador. O primeiro passo é o arrependimento. O pecador precisa reconhecer o próprio erro e decidir abandonar o caminho que o afastou de Deus. O apóstolo Pedro pregou essa mensagem em Jerusalém: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus para que os seus pecados sejam cancelados” (Atos 3:19).


O segundo passo é a confissão. Evite pedidos genéricos de perdão. A verdadeira confissão exige sinceridade e reconhecimento das próprias faltas. O pecador precisa identificar seus erros e assumir a responsabilidade por suas escolhas.
Confessar a Deus significa reconhecer o pecado, abandonar as justificativas e buscar a reconciliação com as pessoas feridas pelas atitudes. O arrependimento genuíno produz frutos. Quem reconhece o mal que praticou deve, na medida do possível, reparar os prejuízos e mudar sua conduta.


Depois do arrependimento e da confissão, vem a conversão. O apóstolo Pedro chama o ser humano a voltar-se para Deus. Converter-se significa mudar de direção. O convertido deixa o mau caminho e escolhe uma nova forma de viver.
Por fim, há o Advogado. Ele exerce papel fundamental nesse processo. Jesus Cristo conhece perfeitamente a condição humana e oferece defesa aos pecadores. A mensagem do Evangelho é clara: há esperança para quem reconhece seus erros e busca uma nova vida.


Cristo conhece a lei de Deus e também as fraquezas humanas. Ele é o único mediador e advogado diante do Pai. Por isso, a oportunidade de reconciliação está aberta. Aproveite essa oportunidade. Faça uma oração. Peça socorro. Reconheça seus erros. Arrependa-se, confesse, mude de direção e siga aquele que declarou ser “o Caminho, a Verdade e a Vida”.
A escolha continua diante de cada um de nós.

02 agosto 2020

Missão impossível

Uma boa assessoria é importante para alcançar sucesso em um empreendimento. Contar com profissionais qualificados nas áreas jurídica, contábil, administrativa e de marketing, além de alguém que domine os códigos da linguagem, é o básico. Planejamento e assessoria de qualidade são fundamentais para alcançar bons resultados.

Quando li a ordem de Jesus Cristo aos discípulos de ir por todo o mundo, pregar o Evangelho, batizar e fazer discípulos, a tarefa pareceu impossível. A equipe de Jesus, aos olhos humanos, era pouco qualificada. O membro mais instruído abandonou a equipe. Havia pessoas sem domínio dos conhecimentos básicos. Mateus talvez fosse o melhor em matemática. Os outros falavam mal até o idioma local. Eles eram poucos e dispunham de recursos financeiros limitados para custear uma viagem curta, quanto mais para obedecer à ordem de ir por todo o mundo.

De fato, a missão era impossível para aqueles discípulos. Ela continua impossível para qualquer equipe de hoje. Deus espera apenas nossa disposição para ir. A missão era e continua sendo do Espírito Santo. Somos apenas testemunhas.

O livro de Atos dos Apóstolos poderia receber o nome de Atos do Espírito Santo. O capítulo 8, verso 29, registra: “…disse o Espírito Santo a Felipe.” Outro texto afirma: “…pareceu bem ao Espírito Santo…” (Atos 15:28). Um terceiro relato diz: “tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia…” (Atos 16:6). Tudo isso cumpria a promessa de Cristo sobre o envio do Espírito Santo para ensinar todas as coisas (João 14:26). O Espírito Santo atua como professor, guia e pregador.

Converter o pecador de seu mau caminho é obra exclusiva do Espírito de Deus. Nossa parte consiste em testemunhar sobre a mudança que Ele operou em nossa vida. O Espírito Santo capacita para o testemunho, guia, prepara e abre portas. Também é importante lembrar que o Espírito Santo inspirou o texto bíblico. Por isso, somente Ele pode levar alguém à verdadeira compreensão das Escrituras. O poder está na Bíblia, e não em nossa argumentação ou capacidade teológica.

Que tenhamos o privilégio de cooperar com o Espírito Santo. Vamos alcançar os perdidos para Cristo por meio do nosso testemunho.

(Texto baseado na Lição da Escola Sabatina: "Fazendo amigos para Deus – A alegria de participar de Sua Missão", CPB, 2020).


20 julho 2020

Testemunha ou Advogado

Quando esteve conosco, Jesus Cristo realizou muitos milagres. Ele provocou a razão, emocionou pessoas, deixou ensinamentos e esclareceu conceitos sobre justiça, verdade e amor. Depois, pediu aos discípulos que fossem testemunhas desses fatos.

Testemunhar de Cristo consiste em contar o bem que Ele realizou na vida da pessoa convertida. Significa compartilhar a cura, a graça, a misericórdia e o perdão concedidos por Deus no passado e no presente, além da esperança oferecida para o futuro. Testemunhar é uma oportunidade oferecida por Deus. Trata-se, sobretudo, de um privilégio: cooperar com Ele no resgate da ovelha perdida. Esse testemunho demonstra que o crente conhece Jesus pessoalmente, pois mantém comunhão com Ele.

Uma coisa é relatar, em teoria, o que Jesus fez. Outra, bem diferente e muito mais impactante, é ouvir o próprio beneficiário do milagre contar sua experiência. As histórias de resgate são diversas. O poder de Deus alcança pessoas que, aos olhos humanos, parecem improváveis, como o apóstolo Paulo, que viajava para Damasco com a intenção de perseguir os cristãos. O encontro de Paulo com Cristo foi sobrenatural. Deus, porém, nem sempre age de forma dramática. É mais comum observar histórias marcadas pelo reconhecimento da graça do Pai, a compreensão de seu imenso amor e a gratidão pelo perdão dos pecados.

Na igreja primitiva, cada membro tinha uma história para contar. Os irmãos Tiago e João tiveram o temperamento explosivo transformado pelo amor. Pedro deixou a condição de rude pescador e se tornou um grande pregador e líder da igreja. Tomé poderia contar como sua dúvida deu lugar à fé. Paulo, antigo perseguidor dos cristãos, falava sobre seu encontro com Cristo na estrada de Damasco. Afinal, a testemunha relata o que viu, ouviu, conheceu ou experimentou.

Certa vez, Jesus foi à região de Decápolis, às margens do Mar da Galileia. Ao descer do barco, encontrou um homem agressivo, que se automutilava e vagava pelos cemitérios durante a madrugada. Ele vivia sob terrível opressão espiritual. Ao encontrar Jesus, teve a vida completamente transformada. Depois de sua restauração física, emocional e espiritual, o jovem pediu para seguir o Mestre. Jesus, porém, ordenou que ele voltasse para casa e contasse o que Deus havia feito por ele. Aquele homem era a pessoa mais indicada para falar do amor libertador do Pai Celeste. Tanto Paulo quanto o homem restaurado em Decápolis tinham histórias marcantes para compartilhar.

Ellen White escreveu: “Deus poderia ter realizado seu plano de salvar pecadores sem o nosso auxílio; mas, para desenvolvermos caráter semelhante ao de Cristo, precisamos partilhar de sua obra” (O Desejado de todas as nações, p. 142). Jesus também ensinou à mulher samaritana, junto ao poço de Jacó, sobre a água viva. Quem recebe essa água tem em si uma fonte que transborda. O testemunho pessoal nasce dessa experiência com Cristo e constitui uma forma de cooperar com os planos divinos. Além disso, testemunhar favorece o crescimento espiritual, aproxima o pecador do coração de Deus, expressa obediência e revela amor ao próximo.

Por essa razão, testemunhar vai além de convencer alguém das doutrinas da igreja. Deus não precisa de advogados. O testemunho mais eficaz é uma vida transformada. Para testemunhar, basta ter experimentado o amor de Deus. Isso não diminui o valor dos dons como a formação acadêmica, o conhecimento ou a eloquência, desde que empregados para a glória de Deus.

Diariamente, Deus oferece oportunidades de compartilhar o amor, a misericórdia, a paciência e o perdão recebidos Dele. Precisamos, portanto, olhar para as pessoas com as lentes do céu. O foco não deve estar apenas no que elas são hoje, mas no que poderão se tornar com Cristo. Nas palavras de Ellen White, “Ninguém caiu tão fundo, nem é tão mau, que não possa encontrar libertação em Cristo” (O Desejado de todas as nações, p. 258).

A função da testemunha é levar as pessoas a Cristo. Nos evangelhos, amigos e parentes conduziam os necessitados até o Mestre. Lucas relata um belo exemplo de fé. Quatro amigos levaram um paralítico até Jesus e, diante da dificuldade de entrar na casa, abriram o telhado e desceram o enfermo em sua maca para que Jesus o curasse.

A primeira pessoa com quem André compartilhou as boas-novas foi seu próprio irmão, Pedro. Talvez o testemunho mais importante aconteça dentro de casa. Ele se manifesta por meio da amizade, do carinho, do amor, da compreensão e do respeito pelos familiares. Quando o relacionamento com o cônjuge, os filhos ou os pais enfrenta dificuldades, um dos maiores testemunhos em favor de Cristo consiste em restaurar e fortalecer os laços familiares. Cada pessoa se torna uma demonstração viva do Evangelho, um verdadeiro outdoor ambulante. Afinal, é em casa que revelamos quem realmente somos.

É claro que lidar com pessoas difíceis exige grande esforço. Ainda assim, devemos olhar para o potencial de cada uma. Precisamos enxergar suas qualidades e aquilo que poderão se tornar em Cristo, sem permitir que os problemas sejam o único foco. Deus conhece nossas limitações. Ele trabalha com pessoas imperfeitas e transforma vidas. Como diz uma conhecida expressão: Deus não escolhe os capacitados; Ele capacita os escolhidos.

O chamado para testemunhar, portanto, não exige uma história extraordinária. Exige uma experiência real com Cristo. Quem conheceu sua graça tem algo para contar. Quem recebeu perdão pode falar sobre perdão. Quem encontrou misericórdia pode oferecer misericórdia. Quem experimentou o amor de Deus pode compartilhar esse amor. Ser testemunha é, acima de tudo, contar aos outros aquilo que Cristo fez em nossa vida.

(Texto baseado na Lição da Escola Sabatina do terceiro trimestre de 2020: "Fazendo amigos para Deus – A alegria de participar de sua missão", CPB).


15 julho 2020

Sociedade fabiana

Fábio Máximo (Quintus Fabius Maximus Verrucosus – 275 – 203 a.C.) foi cônsul romano por cinco vezes quando dois cônsules compartilhavam a administração do Estado e duas vezes ditador no período da República entre os anos 233 e 209 a.C. Ficou conhecido por sua estratégia prolongada de guerra contra Aníbal, de Cartago, especialmente na segunda guerra púnica.

Em referência ao método de guerra do cônsul romano, foi criada em Londres no dia 4 de janeiro de 1884 a Sociedade Fabiana. Trata-se de um movimento político socialista que entendia a tomada do poder pelos trabalhadores de forma gradual, infiltrando-se nas instituições, propondo dominação do pensamento coletivo como estratégia diferente dos marxistas que queriam o poder de forma revolucionária, assim como aconteceu na Rússia, China e outros países.

Inspirados na tática de fazer guerra de Fábio Máximo, diversos filósofos, cientistas políticos, economistas, físicos, dramaturgos como H. G. Wells, Emmeline Pankhurst, Leonard Woolf, George Bernard Shaw, Annie Wood Besant, Bertrand Arthur William Russell, Salama Moussa, Harold Laski, Edward Carpenter, Oliver Joseph Lodge, Richard Henry Tawney, Jawaharlal Nehru, Georg Douglas Howard Cole dentre outros, fundaram o Partido Trabalhista em 1906 no Reino Unido, e alguns desses nomes foram expoentes do movimento socialista fabiano ao longo do século XX.

O ardil socialismo fabiano de influência cultural foi explicado por Maria Antonieta Macciochi, feminista italiana dos anos 70, em seu livro A favor de Gramsci, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976, p.151: “Esse sistema ideológico envolve o cidadão por todos os lados, integra-o desde a infância no universo escolar e mais tarde no da igreja, do exército, da cultura, das diversões, e inclusive do sindicato, e assim até a morte, sem a menor trégua; essa prisão de mil janelas simboliza o reino de uma hegemonia, cuja força reside menos na coerção do que no fato de que suas grades são tanto mais eficazes quanto menos visíveis se tornam.” Sim, grades tão eficazes quanto menos visíveis forem. No Brasil, ideias associadas a essa corrente impregnou como nódoa no tecido social, que levará anos para limpar a mancha nefasta nas instituições públicas, universidades, sindicatos, igrejas, partidos políticos, escolas primárias, dentre outras organizações sociais.

A agenda socialista fabiana está mais forte hoje do que em períodos anteriores. O mote socialista deixou de ser a luta de classes ou o que se chama de capitalismo selvagem para erguer a bandeira da ecologia. O discurso ecológico é simpático, unificador e encontra apoio em todas as classes sociais e religiões. Pascal Bernardin, jornalista e engenheiro francês, denuncia no livro ‘O Império Ecológico ou a subversão da ecologia pelo globalismo’ (Vide Editorial, páginas de 10 a 12), que tem crescido um discurso ecológico totalitário, mascarado, que monopoliza a mídia. O escritor fala de uma ideologia unificadora das religiões e de um governo mundial.

O Papa Francisco atua como grande defensor do “ecumenismo ecológico”. Nos últimos anos, o líder religioso tem se dedicado, basicamente a dois temas: Ecologia e ecumenismo. Na verdade, propõe a união das religiões para cuidar do planeta. Exemplo disso é a chamada “economia de Francisco” revelada no Sínodo da Amazônia e na Carta Encíclica Laudato si. No documento papal, o líder católico defende o domingo como dia de descanso para a humanidade cuidar do planeta, da família e dia especial de culto religioso.

O Instituto Humanista Unisinos, entidade Católica Jesuíta, publicou no site ihu.unissinos.br no dia 20 de abril de 2020 artigo intitulado “A comunhão com nossa irmã-mãe terra vai ter que ressuscitar após esta pandemia” (pandemia de covid-19 de 2020). Num discurso religioso diz: “Como Noé, hoje somos chamados a assumir uma opção essencial para o cuidado da casa comum…” O artigo continua dizendo que esta sociedade de consumo, desperdício e desigualdades caminha para o fim.

No dia 12 de março de 2018, o site vaticannews.va publicou a notícia: “Hebreus, cristãos e muçulmanos juntos para salvar o planeta”, referindo-se ao Congresso Notre Dame de Jerusalém cujo objetivo era apresentar a Carta Laudato si. No Congresso, destacaram-se trechos da Carta para enfatizar que a Terra “clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável”. Obviamente, a ação humana está poluindo rios e o ar, desmatando, alterando fauna e flora.

O discurso ecológico ganhou voz no meio evangélico por seguir a tendência da moda. E parece que ninguém quer ficar de fora da onda. No programa ‘Vejam só’ da RIT TV exibido no dia 10 de janeiro de 2020, o entrevistado Reverendo Ageu Cirilo de Magalhães Júnior, diretor do Seminário Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição, defende a ideia de que a pandemia de COVID-19 é a “mão de Deus sobre a terra”. Na mesma linha de pensamento de salvar o planeta, o teólogo exorta que devemos nos aproximar mais de Deus, especialmente dedicando o domingo como dia para cuidar das questões religiosas, porque, segundo suas palavras, o dia de domingo é o “mandamento esquecido”. Católicos e diversas correntes de protestantes estão mais próximos do que nunca. Além do cuidado com a "casa comum", dois pontos doutrinários importantes são compartilhados: o domingo, como dia de descanso, e a crença na imortalidade da alma.

O ex-frei Leonardo Boff, outrora silenciado pelo Papa antissocialista João Paulo II, encontrou apoio no Papa socialista Francisco. O Frei publicou texto com o título “A transição ecológica para uma sociedade biocentrada”, no site franciscanos.org.br, em 23/06/2020, no qual afirma que o coronavírus, arma letal de ‘Gaia’, “…expressa a lógica do capitalismo global que, há séculos, conduz uma guerra sistemática contra a natureza e contra a Terra.” E acrescenta que “a ONU reconheceu a Terra como Mãe Terra e a natureza como titulares de direitos. Isso implica que a democracia deverá incorporar como novos cidadãos, as florestas, as montanhas, os rios, as paisagens. A democracia seria socio-ecológica (sic).”

Aqui e acolá poucas vozes críticas soam no meio católico como Dom José Luis Azcona Hermoso, Bispo Católico Emérito da Prelazia do Marajó (PA), que faz crítica ao Instrumento de Trabalho do Sínodo da Amazônia por fugir do propósito de um sínodo ao deixar de fazer menção a Cristo crucificado e ressuscitado, segundo suas palavras em homilia, para um discurso político, e por elevar o indígena da Amazônia à perfeição, mesmo sendo humano e pecador como todos (YouTube, Apostolado Petrino, Homilia de Dom Azcona, em 18/10/2019).

De fato, a quarentena no período da pandemia de COVID-19 no primeiro semestre de 2020 favoreceu mudanças pontuais que foram observadas em rios que ficaram mais limpos, além de diminuição de lançamento de dióxido de carbono na atmosfera em cidades muito populosas. Esses bons exemplos de restauração da natureza unem religiosos de todo o mundo, ateus e socialista marxistas ou fabianos sob a mesma bandeira e liderança do Papa Francisco.

Vem ganhando força o discurso de parar tudo aos domingos para que a Terra possa descansar. As catástrofes naturais e as pandemias de ebola, covid-19, H1N1, Zica Vírus, Chicungunha, Gripe Suína, Gripe Aviária, SARS e outras doenças podem favorecer o surgimento de governos autoritários com discurso de proteção da vida com a finalidade de controlar a população e os meios de comunicação. Em períodos de medo e insegurança, líderes políticos podem ampliar mecanismos de controle social, impor normas de comportamento, dentre elas o descanso no domingo para cuidar do planeta, da família e para celebração religiosa. Ocorre que a liberdade tem o mesmo valor que a vida. É inadmissível perder a liberdade para proteger a vida.

Os livros históricos registram que o primeiro dia da semana era venerado pelos romanos como dia de adoração ao sol. No dia 7 de março de 321 d. C., o imperador Constantino promulgou decreto fazendo do domingo um dia de festividade pública: “Que no venerável dia do sol os magistrados e as pessoas residentes nas cidades descansem, e que todas as oficinas estejam fechadas. No campo ainda que as pessoas ocupadas na agricultura possam livremente continuar seus afazeres pois pode acontecer que qualquer outro dia não seja apto para a plantação de vinhas ou de sementes” (Christian Classics Ethereal Library, Canon 29 of Council of Laodicea). Esse foi o passo mais importante para o esquecimento e substituição do sábado da Lei de Deus pelo domingo. É oportuno dizer que está escrito no texto do quarto mandamento do decálogo de Deus “lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Êxodo 20:8-11). Deus sabia que a humanidade iria esquecê-lo, por isso começou sua redação com a palavra “lembra-te”.

As condições são favoráveis. O discurso está pronto. Só falta implementação do domingo como dia de guarda/descanso. A Constituição Federal brasileira assegura no artigo 7º, inciso XV, que são direitos dos trabalhadores “repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos”. No catecismo, o sábado da Lei de Deus foi mudado pelo domingo por determinação da Igreja Católica em lembrança da ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana. Na Carta Encíclica Dies Domini do Papa João Paulo II, o ‘Pontífice explica com clareza porque, por exemplo, a Igreja Católica Romana substituiu o sábado pelo domingo. Convenientemente, os principais movimentos históricos protestantes foram na mesma linha dos Católicos. Esqueceram o que era para ser lembrado. O livro de Êxodo (20:8-11) expressa de forma cristalina os motivos da obediência ao preceito sabático. Somos indesculpáveis quando buscamos razão para a desobediência da ordem de Deus alegando abolição do decálogo pela morte de Cristo na cruz. O curioso é que o alvo da abolição só alcançou o quarto mandamento. Todos os nove mandamentos do decálogo são aceitáveis, menos o sábado, segundo dizem aqueles que advogam a tese da conveniência’ (extraído do texto O Espírito Santo e o selo de Deus no livro do Apocalipse, publicado neste blog em 22/06/2020).

O Papa João Paulo II depois de fazer uma explanação das razões e importância do sábado na lei mosaica, defende a tese de que a morte e ressurreição de Cristo proporcionou um descanso e recriação da humanidade tal qual o sábado faz referência à criação inicial do relato de Gênesis 1. A seguir, destacam-se trechos do documento “O dia do Senhor – Carta Apostólica Dies Domini, do Sumo Pontífice João Paulo II ao episcopado, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica sobre a santificação do domingo”. No capítulo de título “O Shabbat: o repouso jubiloso do Criador", o Papa João Paulo II, de forma poética, dá as razões do porquê o sábado deve ser lembrado: “O repouso divino do sétimo dia não alude a um Deus inactivo (sic), mas sublinha a plenitude do que fora realizado, como que a exprimir a paragem de Deus diante da obra ‘muito boa’ (Gn 1,31) saída das mãos, para lançar sobre ela um olhar repleto de jubilosa complacência: um olhar ‘contemplativo’, que não visa novas realizações, mas sobretudo apreciar a beleza do quanto foi feito; um olhar lançado sobre todas as coisas, mas especialmente sobre o homem, ponto culminante da criação. É um olhar no qual já se pode, de certa forma, intuir a dinâmica ‘esponsal’ da relação que Deus quer estabelecer com a criatura feita à sua imagem, chamando-a a comprometer num pacto de amor.” Diz o pontífice que o sábado é uma aliança de amor entre Deus e o homem como num casamento, é um ato tanto da criação, quanto da libertação de “Israel da escravidão do Egito (cf. Dt 5,12-15)”.

No subtítulo “Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o (Gn 2,3)”, a Carta expressa: “O preceito do sábado… não está situado junto das normativas puramente culturais, como é o caso de tantos outros preceitos, mas dentro do Decálogo, as ‘dez palavras’ que delineiam os próprios pilares da vida moral, inscrita universalmente no coração do homem. Concebendo este mandamento no horizonte das estruturas fundamentais da ética, Israel e, depois, a Igreja mostram que não o consideram uma simples norma de disciplina religiosa comunitária, mas uma expressão qualificante e imprescindível da relação com Deus, anunciada e proposta pela revelação bíblica. Se possui também uma convergência natural com a necessidade humana de repouso é, contudo, à fé que é preciso fazer apelo para captar o seu sentido profundo, evitando o risco de banalizá-lo e traí-lo. Portanto, o dia do repouso é tal primariamente porque é o dia ‘abençoado’ por Deus e por Ele ‘santificado’, isto é, separado dos demais dias para ser, de entre todos, o ‘dia do Senhor’”.

Em outro subtítulo da Encíclica “Recordar para Santificar”, acrescenta: “O mandamento do Decálogo, pelo qual Deus impõe a observância do sábado, tem, no livro do êxodo, uma formulação característica: ‘Recorda-te do dia de sábado, para o santificares’ (20,8). E mais adiante, o texto inspirado dá a razão disso mesmo, apelando-se à obra de Deus: ‘Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto contém, e descansou no sétimo; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e santificou’ (v. 11). Antes de impor qualquer coisa a ser praticada, o mandamento indica algo a recordar. Convida a avivar a memória daquela grande e fundamental obra de Deus que é a criação. É uma memória que deve assumir toda a vida religiosa do homem, para depois confluir no dia em que ele é chamado a repousar. O repouso assume, assim, um típico valor sagrado: o fiel é convidado a repousar não só como Deus repousou, mas a repousar no Senhor, devolvendo-Lhe toda a criação, no louvor, na acção (sic) de graças, na intimidade filial e na amizade esponsal.”

Logo depois do discurso como se fosse uma defesa do repouso sabático, a Carta Encíclica no subtítulo “Passagem do sábado ao domingo” expressa a causa da mudança ao dizer que “Cristo constitui a revelação plena do mistério das origens, o cume da história da salvação e a antecipação do cumprimento escatológico do mundo. Aquilo que Deus realizou na criação e o que fez pelo seu povo no êxodo, encontrou na morte e ressurreição de Cristo o seu cumprimento, embora este tenha a sua expressão definitiva apenas na parusia, com a vinda gloriosa de Cristo.” Mais adiante cita frase de S. Gregório Magno: “Nós consideramos verdadeiro sábado a pessoa de nosso redentor, nosso Senhor Jesus Cristo”. Por fim, conclui sobre a mudança do sábado para o domingo nestas palavras: “À luz deste mistério, o sentido do preceito vetero testamentário do dia do Senhor é recuperado, integrado e plenamente revelado na glória que brilha na face de Cristo Ressuscitado (cf. 2 Cor. 4,6). Do ‘sábado’ passa-se ao ‘primeiro dia depois do sábado’, do sétimo passa-se ao primeiro dia: o dies Domini torna-se o dies Christi!” Portanto, para os Católicos Romanos a ressurreição de Jesus Cristo é a razão da mudança do sábado para o domingo como dia santo, conforme defendeu o Papa João Paulo II na Carta Encíclica Dies Domini.

Quando Jesus Cristo esteve na Terra, encontrou 'uma igreja' pregando tradições humanas. A leitura do texto profético era secundária. Hoje estamos vivendo na mesma situação: na defesa das tradições humanas. Disse Jesus: “A adoração deste povo é inútil, pois eles ensinam leis humanas como se fossem meus mandamentos” (Mateus 15:9).

A preocupação com o planeta é válida. Contudo, pessoas enfrentam a fome, outras são refugiadas de guerras insanas, há trabalho escravo e exploração de crianças. Queremos cuidar do planeta e esquecemos de cuidar das pessoas. Uma atitude não pode excluir a outra. As pessoas precisam de solidariedade, amor, respeito, alimento. Se deixar o planeta sozinho sem intervenção negativa do homem ele se restaura em poucas centenas de anos.

O discurso ecológico foi facilmente comprado por pessoas que não desconfiaram que ele vem de ordem superior do mundo dos espíritos. Forças espirituais estão dando as cartas. Como escreveu o Apóstolo São Paulo: “Pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Efésios 6:12, NVI). Ellen White, no livro Mensagens Escolhidas, volume 2, página 392, CPB, descreve que “haverá um laço de união universal, uma grande harmonia, uma confederação de forças satânicas”. Igualmente, no livro O Grande Conflito, da mesma autora e editora, escrito no século XIX, página 589, acrescenta: “Satanás também atua por meio dos desastres naturais… estudou os segredos da natureza e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto Deus o permite … Trará calamidade sobre outros e levará as pessoas a crer que é Deus quem os aflige.”

Muito em breve mega capitalistas, socialistas marxistas ou fabianos, religiosos e ateus estarão unidos num mesmo propósito: salvar o planeta. Grandes nomes da humanidade defenderão o discurso ecológico como elemento pacificador e de união. Mas o propósito é outro. Todos eles querem o poder pelo poder. Ninguém estará preocupado com o bem-estar do ser humano, apesar de ser essa a aparência da pregação. O príncipe das trevas usará sua tática eficaz: a ganância. Somos expectadores de profecias antigas escritas na bíblia. A imposição do domingo como dia de guarda é precisamente um grande sinal da volta de Jesus. Será um momento de grande júbilo para os estudantes das profecias bíblicas que estiverem vivos naquele tempo. Vai ser difícil para os guardadores do sábado do sétimo dia. Creio que eles dirão: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29) “Portanto, quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, pois a sua salvação estará próxima”, disse Jesus (Lucas 21:28).


12 julho 2020

Fake News

Considere a possibilidade de existir o fogo do inferno, conforme o pensamento cristão. Se dentro de uma pessoa existisse algo indestrutível, incapaz de ser consumido por esse fogo, o que sobraria dela? Vamos chamar isso de essência ou natureza. Qual essência permaneceria após a morte física? Qual é a identidade de cada pessoa?

A Lei 12.965/14, chamada de Marco Civil da Internet, proíbe o compartilhamento de conteúdo falso e protege a intimidade alheia. A Constituição garante a liberdade de manifestação do pensamento, mas esse direito não autoriza invadir a privacidade nem atacar a honra alheia. Somos livres para falar a verdade, mas a liberdade de expressão não serve para acobertar mentiras. As mentiras acompanham a humanidade desde a origem. Ambas caminham juntas, e distinguimos uma por causa da outra.

O desafio de qualquer lei regulatória consiste em resguardar a liberdade de expressão e de pensamento, além de proibir a mentira nas redes sociais. Isso sem falar nos oportunistas que enxergam no debate uma brecha para restringir direitos fundamentais sob o pretexto de proteção. Olhos abertos: sobram especialistas e aproveitadores neste mundo!

Os tempos antigos também produziram fake news. Alguns temas repetem-se há séculos até adquirirem contornos de verdade. Entre esses tópicos está a noção distorcida de céu e de inferno. Jesus contou uma parábola impressionante — felizmente, tratava-se apenas de uma parábola, recurso narrativo usado para ilustrar uma mensagem. Vejamos o enredo: dois homens viviam neste planeta. Um era morador de rua, coberto de feridas. O outro, um banqueiro bem-sucedido (profissão que desperta admiração pelo status financeiro). Ambos morreram. O sábio Salomão entrou em pânico ao descobrir que os ricos também morrem. De fato, eles morrem, embora os sepultamentos suntuosos pareçam sugerir que possuem um passaporte especial. O miserável foi para um lugar bom; feliz, nem lembrava das agruras passadas. O banqueiro, acostumado à antecipação de recebíveis, ignorou o saldo negativo no fechamento das contas finais e foi parar no fogo do inferno.

O cenário exibia o céu e o inferno separados apenas por uma rua. O diálogo fluía entre os vizinhos. O morador da zona mais quente gritou para o habitante do polo norte: “Tem água aí?”. O homem do lado fresco hesitou antes de ajudar e aguardou o pedido de socorro: “Molha, pelo menos, o dedo e põe na minha língua”. Não convém questionar a distância geográfica entre o céu e o inferno naquela parábola; tratava-se, talvez, de uma rua estreita nos moldes da antiga Jerusalém. A resposta foi seca: “Não posso”. Surge então o questionamento: um habitante do céu jamais agiria com tanta mesquinhez a ponto de negar um copo de água! Pois é, o banqueiro queimava eternamente. Resta ponderar o custo-benefício da vida: setenta anos de luxo em troca de bilhões de anos de sofrimento infindável. Que justiça é essa? Que deus engana o ser humano com poucos anos de prazer em troca de uma eternidade de tormento? Um deus assim assemelhar-se-ia a um torturador, ou há uma grave distorção na interpretação do texto?

A Bíblia ensina que os mortos estão mortos (Eclesiastes 9:5). Encontram-se em sono profundo, apagados e desligados da tomada — como um celular sem carga ou um bêbado exausto no fim da festa. Ninguém deseja a morte para comprovar a realidade do paraíso celestial, e a Bíblia não suaviza o tema: a morte é implacável. Morreu, acabou. Contudo, a Escritura apresenta a solução definitiva em Jesus Cristo. Ele afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25). O termo ressurreição possui um único sentido: sair da cova.

O Credo da Igreja Católica Romana proclama: “Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor... Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus... donde há de vir a julgar os vivos e os mortos... Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. O Credo menciona explicitamente a ressurreição. Quem já habita o céu não precisa ressuscitar. Nenhum pobre, por mais santo que seja, ascende diretamente ao céu após a morte; nenhum banqueiro pecador vai direto ao inferno sem julgamento; tampouco existe escala no purgatório para ajustar contas. Dar uma canseira para os mais ou menos pecadores.

A teoria do purgatório assemelha-se a uma fake news, uma narrativa falsa com aparência de verdade criada para desinformar, anestesiar a consciência e abrandar a rigidez do tema. Se o banqueiro e o morador de rua fossem lançados nas chamas, a natureza de ambos revelaria a mesma essência.
O apóstolo Paulo sugeriu o teste do espelho para confirmar essa realidade. Para ele, a lei de Deus atua como um espelho que reflete todas as manchas da personalidade. Paulo almejava ser semelhante a Cristo em tudo, a ponto de declarar: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). O velho homem estava morto.

Contudo, antes de alcançar essa estatura espiritual, Paulo enfrentou duras batalhas. Na Epístola aos Romanos (7:18-24), ele relata um conflito íntimo: duas naturezas travavam guerra dentro dele. A natureza humana, com suas tendências corrompidas, enfrentava a natureza divina enxertada pelo Espírito Santo. Uma vida íntegra e verdadeira exige a atuação transformadora do Espírito de Deus.
O ser humano, por si só, é marcado pela falsidade. O melhor antídoto contra as fake news da personalidade humana reside nos Dez Mandamentos de Deus. É um remédio infalível. Enquanto a humanidade julgar-se invencível, apenas a morte causará temor. A parábola do rico e de Lázaro desperta o senso de sobriedade em consciências cauterizadas pelo pecado.

O que esperar de uma sociedade que necessita de leis estatais para obrigar as pessoas a falar a verdade? Trata-se de uma sociedade perdida, formada por seres humanos mortos em seus delitos. A parábola contada por Jesus pretendia ensinar que a leitura da Bíblia é o guia supremo para moldar uma personalidade inspirada na natureza divina. O que resta do ser humano após a morte? O caráter edificado sobre o fundamento da Rocha, o qual o fogo do inferno jamais destruirá. “Ouçam o que Moisés escreveu”, disse Jesus. Ele concluiu que ninguém precisa de uma ressurreição espetacular para crer na mensagem profética. O ponto nevrálgico da parábola resume-se a uma ordem clara: leia a Bíblia.

09 julho 2020

Reforma tributária

O capítulo 12 do primeiro livro de Reis equivale a um vazamento da reunião ministerial do rei Roboão, ocorrida por volta de 945 a.C. Naquela época, o país desfrutava de um bom momento de arrecadação e superávit na balança comercial. Com a morte do rei Salomão e a transição de poder para seu filho e sucessor, Roboão, o povo enxergou a oportunidade de exigir uma reforma tributária. A prosperidade proclamada apoiava-se sobre uma carga tributária sufocante.

 A questão fiscal sempre motivou revoltas populares, guerras, deposição de monarcas e conflitos ao longo da história da humanidade. No período de Roboão, o peso dos impostos tornou-se tão grave que a oposição, liderada por Jeroboão, exigiu que o palácio respondesse ao clamor popular. O rei recebeu uma comissão chefiada por um ex-funcionário e desafeto de seu pai. É provável que o diálogo tenha começado com ânimo exaltado.

 A exigência resumia-se a um pedido claro: aliviar a tributação. Roboão pediu três dias para responder. Durante a reunião ministerial, ouviu seus assessores, avaliou os conselhos e decidiu aumentar os impostos por meio de medida provisória. Naquela época, a figura real concentrava as funções executiva, legislativa e judiciária, o que facilitava a edição de decretos fiscais. O princípio da legalidade resolvia-se com facilidade.

 O resultado foi inevitável: estourou uma revolta popular liderada por Jeroboão, que acabara de retornar do exílio no Egito. Esses exilados costumam retornar com ânimo inflamado e assumir o poder com facilidade. O país dividiu-se. Dez das doze tribos apoiaram a revolta, enquanto apenas duas permaneceram fiéis ao rei.

 Nos anos seguintes, a falta de recursos para manter um exército forte e as invasões sucessivas de nações vizinhas enfraqueceram a unidade nacional. A partir de 700 a.C., o país perdeu a estabilidade e só se recuperou no início do século XX. Foram vinte e sete séculos de história desperdiçados por causa de uma decisão vaidosa e arrogante. Dar ouvido ao conselho errado gera consequências trágicas. Se Roboão tivesse lido o conselho de seu pai em Provérbios 13:10, a história teria outro desfecho: “A arrogância só produz contendas, mas a sabedoria está com aqueles que buscam conselho” com as pessoas certas.

 O tema da reforma tributária permanece controverso e gera uma disputa ferrenha. Quem governa deseja reformar para ampliar a arrecadação; no mínimo, recusa-se a perder receitas. No Brasil, a União e os estados jamais chegam a um consenso. Os governos estaduais disputam se a tributação incidirá na origem ou no destino, enquanto os setores produtivos travam batalhas por incentivos fiscais. Por outro lado, o cidadão, o produtor e o comerciante clamam pela redução de impostos, taxas e contribuições. A essa complexidade somam-se os interesses políticos dos eleitos, a conjuntura econômica e a pressão de grupos de influência. Qualquer reforma fiscal voltada à dinâmica da economia exige grande esforço.

 Embora a simplificação e a redução da carga tributária provoquem queda na arrecadação a curto prazo, a medida favorece o crescimento do país a longo prazo. Desonerar a folha de pagamento, por exemplo, incentiva a criação de empregos, estimula o consumo e faz o dinheiro circular, aquecendo a economia.

 Os impostos representam parte do esforço produtivo do cidadão transferida para a administração do governo. Uma reforma tributária justa precisa nascer de um pacto federativo que inclua a participação de quem paga a conta. Infelizmente, o assunto decide-se em gabinetes, sem consulta popular. Assim, torna-se fácil encomendar o jantar e mandar a conta para o vizinho.

 Atualmente, o cidadão desconhece o montante exato pago em tributos e o destino dos recursos. Somente no consumo incidem cinco tributos principais: ICMS, ISS, IPI, COFINS e PIS/PASEP. Enquanto os governantes disputam poder e controle financeiro, o contribuinte aguarda passivamente uma solução que pode se arrastar por décadas. Até lá, resta suportar o abuso do poder de tributar.

03 julho 2020

Fidelidade e eficiência na administração


Dentre os dons concedidos por Deus ao ser humano, destaca-se a riqueza material. Ser rico pode constituir uma bênção do céu, mas tal dádiva exige boa administração. As riquezas materiais vindas do Pai, sejam poucas ou muitas, devem ser geridas com fidelidade e eficiência. Fiel é quem respeita o pacto e demonstra lealdade. Eficiente é quem produz mais com menos recursos. A Bíblia descreve José como um excelente modelo de administrador. O que aprendemos com as qualidades administrativas de José do Egito?

O apóstolo Pedro incentiva em sua primeira carta (4:10): “Sejam bons administradores dos diferentes dons que receberam de Deus”. A escritora Ellen White (Testemunhos, vol. 3, cap. 33) observa: “Todo homem é um mordomo de Deus. A cada um confiou o Mestre Seus recursos... Disse Cristo: ‘Negociai até que Eu venha’ (Lucas 19:13). ‘Presta contas da tua mordomia’ (Lucas 16:2)”. A palavra mordomo significa administrador de uma casa.

Ellen White (Testemunhos Seletos, vol. 2, cap. 78) acrescenta: “Os bens do Senhor devem ser manejados com fidelidade. O Senhor tem confiado aos homens vida, saúde e as faculdades de raciocínio... Muitos estão gastando o dinheiro de seu Senhor em assim chamados prazeres dissolutos... deixando de levar a cruz de Jesus”.

A Fidelidade como Base
Analisemos as qualidades de uma boa administração sob a perspectiva de José. A primeira característica essencial é a fidelidade: o compromisso irrevogável de cumprir acordos, zelar pela palavra empenhada e fazer o que é correto segundo os padrões bíblicos, mesmo contra a correnteza.

Até os dezessete anos, José levava uma vida tranquila e privilegiada em sua família. De repente, tudo mudou. Vendido como escravo pelos irmãos, foi parar no Egito, na casa de um oficial de alta patente. Mesmo em situação desfavorável, manteve os princípios aprendidos no lar. A fidelidade testa-se nos momentos de crise: seja obedecendo aos mandamentos de Deus quando a maioria os despreza, devolvendo o dízimo apesar do salário apertado ou preservando a integridade diante de propostas tentadoras.

O capítulo 39, verso 2, de Gênesis relata que “o Senhor estava com José”. O jovem, contudo, não enxergava a mão divina de imediato. Só compreendemos os propósitos de Deus ao contemplar o desfecho da história. Sem palestras motivacionais de um coach nem garantias de sucesso durante a viagem como prisioneiro, José entendeu que a fidelidade não se compra; ela exige decisão e postura.

O cristão devolve o dízimo como reconhecimento da soberania do Criador, porque sabe que é apenas um mordomo. A pessoa fiel a Deus nos dízimos não busca barganhar favores. A teologia da prosperidade reduz a graça divina a um balcão de negócios.

A matemática financeira exige cautela: após separar os 10% para a obra de Deus, restam 90% para o sustento familiar. Gerir menos recursos requer sabedoria. Gênesis 39:5 aponta que a bênção divina alcançava tudo ao redor de José. ​Perceber a providência divina na saúde, no trabalho e na preservação da vida torna o dízimo um ato natural de reconhecimento.

Os 90% restantes pertencem a Deus, mas Ele permite administrá-los com prioridades orientadas pela obediência. É incompatível com a mordomia cristã gastar recursos divinos com vícios, alimentos inadequados ou conteúdos culturais nocivos. Como afirma Ellen White (Testemunhos, vol. 9, cap. 30): “Cada cristão é um mordomo de Deus... Requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”.

Eficiência e Gestão Prática
A segunda qualidade de uma boa administração é a eficiência. Jesus ilustrou essa verdade na parábola dos talentos, distribuídos conforme a capacidade de cada servo (Mateus 25). A regra básica determina que grandes empreendimentos exigem excelência nas pequenas tarefas cotidianas. O apóstolo Paulo exorta Timóteo (1Tm 3:12) a gerir bem a própria casa antes de assumir responsabilidades maiores.

Na adolescência, José já prestava contas ao pai sobre as atividades no campo (Gênesis 37:14). Ele planejava, estabelecia prioridades e não compactuava com o erro, ao ponto de ser considerado indesejável pelos irmãos quando erravam. Além disso, destacava-se na gestão de conflitos por meio do diálogo.

Nem sempre é fácil administrar o orçamento doméstico. Os interesses, por vezes, são antagônicos entre os membros do núcleo familiar. O diálogo permanece como a melhor ferramenta para resolver impasses. No livro Esperança para a Família (Willie e Elaine Oliver, CPB, 2018, p. 44), tratando da intimidade conjugal, destaca-se que “isso é muito mais que nudez física. Em realidade, diz respeito a um relacionamento em que há total transparência emocional, financeira, intelectual e espiritual”. A intimidade financeira é pré-requisito para o sucesso no orçamento doméstico. Esse quesito é desafiador para quem administra poucos recursos.

Superando a Adversidade
Administrar com retidão atrai oposição. Vendido pelos irmãos, José cresceu profissionalmente no Egito graças à sua operosidade. Como destaca a escritora Ellen White (Patriarcas e Profetas, cap. 20): “A assinalada prosperidade que acompanhava todas as coisas postas aos cuidados de José não era resultado de um milagre direto; mas sim a sua operosidade, zelo e energia eram coroados pela bênção divina. José atribuía seu êxito ao favor de Deus, e mesmo seu senhor idólatra aceitava isso como o segredo de sua prosperidade sem-par. Sem um esforço perseverante e bem dirigido jamais poderia, entretanto, haver conseguido o êxito. Deus era glorificado pela fidelidade de Seu servo”.

Mesmo vivendo de forma íntegra, José foi lançado injustamente na prisão, onde o sistema jurídico da época ignorava garantias fundamentais como a ampla defesa e o contraditório. Sua capacidade de superação exigiu profunda paciência. Na cela, ele cultivou flexibilidade, cuidou dos companheiros de cárcere e demonstrou genuína preocupação com o próximo. Quando o copeiro-chefe esqueceu de interceder por ele, José evitou o amargor da vingança. Valores sólidos sustentam o caráter nos momentos de injustiça.

Uma boa administração exige resiliência diante das adversidades. A trajetória de José exemplifica essa jornada: ele superou a oposição hostil dos irmãos, resistiu à tentação no ambiente de trabalho e suportou dois anos de cárcere indevido.

Obstáculos e falta de reconhecimento testam o caráter humano.
 Quando a situação se inverte e o oprimido alcança o poder, a verdadeira personalidade se revela. A vingança nunca constitui uma resposta aceitável. O exercício da autoridade ou da riqueza exige integridade, provando que o poder deve servir à justiça e não ao rancor. Vi, certa vez, o pronunciamento do Senador Jefferson Péres sobre a capacidade do poder de corromper os seres humanos. A Senadora Heloísa Helena pediu a palavra para dizer que o poder revela o verdadeiro caráter das pessoas (5 de dezembro de 2005). No caso de José, o poder revelou quem de fato ele era.

José era um sonhador. Todo vencedor cultiva grandes visões. Ao compartilhar suas aspirações com os familiares, ele desenvolveu a capacidade de pensar, interagir e comunicar-se, embora nem sempre fosse compreendido por pais e irmãos. Os pais devem incentivar os sonhos dos filhos, pois o estímulo pavimenta o caminho das grandes conquistas. Afinal, o sucesso de José como administrador fundamentou-se em três pilares: gerir com excelência as pequenas tarefas cotidianas, solucionar conflitos de forma pacífica e acreditar em seus ideais. Frutifique onde você estiver plantado e execute com perfeição tudo o que vier às suas mãos.

De Administrador Júnior a Sênior
Quando a vida exige uma guinada radical, Deus pode agir por meio de intervenções extraordinárias. Foi assim quando o Criador concedeu um sonho a Faraó, unindo dois visionários. Convocado para interpretar a visão do líder máximo da nação, José demonstrou preparo imediato. A sorte revelou-se, na verdade, como o encontro da oportunidade com a qualificação profissional. Além de identificar o problema com rapidez, o jovem estruturou um plano estratégico de curto, médio e longo prazo para catorze anos, provando sua profunda visão administrativa.

Nomeado assessor especial no gabinete presidencial, José confirmou sua competência ao longo dos anos. Ele soube ajustar rotas, reorganizar prazos e rever resultados com agilidade. Essa capacidade de gestão eficiente destacou-se nos momentos de crise, abrangendo desde desequilíbrios econômicos e escassez até períodos de fome e calamidades públicas.

Ellen White (Testemunhos Seletos, vol. 13) acrescenta: “Deus se desgosta com a maneira negligente, frouxa em que muitos dos que professam ser seu povo dirigem seus negócios mundanos. Parecem ter perdido todo o senso de que a propriedade que estão usando pertence a Deus, e lhe devem prestar contas de sua mordomia. Alguns têm os negócios seculares em total confusão”.

O Propósito dos Sonhos
As crianças são naturalmente sonhadoras. Os adultos perdem a capacidade de sonhar no decorrer da vida por causa de sofrimentos, angústias ou doenças. O pecado também extingue essa capacidade. O mais importante consiste em descobrir o sonho de Deus para essa existência. Se o sonho é a salvação, deve-se cultivar a semente plantada pelo Senhor no coração. Acreditar nesse sonho transforma a maneira de pensar e agir. Que sonho você cultiva?

As mudanças exigem adaptações contínuas às novas circunstâncias, pois isso faz parte do processo. Quem viveu da mesma forma nos últimos dez anos apenas repetiu o mesmo ano dez vezes. Quem busca resultados diferentes na administração da vida precisa adotar atitudes novas, sem medo de sonhar e enfrentar obstáculos. Os obstáculos existem para ser vencidos e promovem o aperfeiçoamento. Levantar a cabeça e lutar constitui um imperativo. Evite murmurar ou contar problemas aos outros: parte das pessoas ignora os problemas alheios, enquanto outra parte alegra-se com eles. A pergunta central resume-se a onde se quer chegar e qual preço se está disposto a pagar.

Fidelidade e eficiência formam os princípios fundamentais para o sucesso de uma boa administração. O percurso exige esforço, mas a chegada compensa cada desafio.

22 junho 2020

O Espírito Santo e o selo de Deus no livro do Apocalipse

O Apocalipse é um livro de esperança

João Evangelista

João Evangelista foi o escritor do livro Apocalipse. Ele era um dos doze Apóstolos de Jesus e escreveu três Cartas às igrejas de sua época, além de um dos quatro Evangelhos. Possivelmente, seria o mais novo dos 12 discípulos. Tinha por volta de vinte anos ao receber o chamado de Jesus.

Talvez fosse solteiro e vivesse com seus pais na cidade de Betsaida. A cidade ficava a 130 Km de Jerusalém. Ele era pescador. Trabalhava com seu irmão Tiago em provável sociedade com André e Pedro. Foi chamado de “filho do trovão” devido ao temperamento explosivo. Mais tarde, virou o “discípulo amado” pela mudança do Espírito Santo. A mãe de João e Tiago foi pretensiosa ao pedir que os filhos se sentassem à direita e à esquerda de Jesus no céu. João sempre esteve ao lado de Jesus até o último momento. Ele recebeu a missão de cuidar de Maria, a mãe de Jesus Cristo.

Em algum momento de sua vida, João esteve exilado na ilha de Patmos. Ali, ele escreveu o Apocalipse. Foi um teólogo importante da incipiente igreja cristã. Morreu de morte natural aos 94 anos, em Éfeso. Isso aconteceu no ano 100, aproximadamente. (Wikipedia).

Parafraseando Jesus Cristo, o livro do Apocalipse traz boas promessas, com bênçãos para os pacificadores, para aqueles que têm fome e sede de justiça, para os que são limpos de coração; por fim, para aqueles que verão a Deus.

A decisão final é sobre adoração

O autor do Apocalipse revela fatos históricos importantes ao longo dos séculos. Ele descreve dois grupos de pessoas, protagonistas dos eventos finais deste mundo. Todos receberão um sinal de pertencimento, que caracterizará um e outro grupo por causa de suas ações, que definirá seus destinos para sempre. As informações disponíveis são suficientes para se posicionar diante do cenário porvir. De um lado ou de outro, todos conhecerão as condições e as regras do próprio julgamento. No fim, a decisão é sobre adoração.

Os lados opostos que nunca se atraem

Em breve, os habitantes da Terra estarão divididos em dois lados bem distintos. Uns viverão sem propósito, entregues a si mesmos. Julgando-se autossuficientes, donos de si, buscam o prazer. Por desconhecerem como seria uma vida dedicada a Deus, eles dirão frases como: “Meu corpo, minhas regras”: expressão típica de quem foca projetos apenas na existência atual. Outros entenderão que detêm o próprio destino. Não renunciarão suas escolhas. Nessa linha de pensamento, o corpo é uma propriedade pessoal e fazem com ele o que desejam.

O apóstolo Paulo, em 2 Timóteo 3:1-4, advertiu: “Tempos difíceis vêm por aí. À medida que o fim se aproxima, os homens vão se tornando egocêntricos, loucos por dinheiro, fanfarrões, arrogantes, profanos, sem respeitos para com os pais, cruéis, grosseiros, interesseiros, sem escrúpulos, irredutíveis, caluniadores, sem autocontrole, selvagens, cínicos, traiçoeiros, impiedosos, vazios, viciados em sexo e alérgicos a Deus” (Bíblia A Mensagem, Eugene Peterson). Esses são os frutos do pecado. A descrição é perfeita para o tempo atual. Tais pessoas, iniciam como adoradoras de si mesmas para depois adorarem algo ou alguém superior.

O apóstolo Pedro (2 Pedro 3:3) previu a mesma situação. Ele disse: “… nos últimos dias surgirão escarnecedores anunciando suas zombarias e seguindo suas próprias paixões.” O Espírito Santo inspirou todos os autores do texto bíblico para escrever com precisão os acontecimentos que já presenciamos em parte. O caráter profético do texto bíblico, ao antever o futuro, dá credibilidade ao livro sagrado. Mais que isso, apresenta a todos a possibilidade da escolha, dada a clareza dos fatos.

O outro lado vive o projeto sonhado por Deus. A pessoa abre mão de seus planos para seguir o Espírito Santo. A obediência leva ao amor, alegria, paz, paciência, retidão, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Estes são os frutos do Espírito, descritos na Carta de Paulo aos Gálatas (5:22). A felicidade dessas pessoas reside no privilégio de participar do propósito divino. Elas reconhecem o corpo como templo do Espírito Santo. Seguem as regras de Deus para o cuidado dele, conforme a bíblia.

O próprio Jesus Cristo falou dessa divisão das pessoas em dois grupos. Os Apóstolos Mateus (25:34) e João (Apocalipse capítulos 7 e 13) descreveram a situação por ângulos diferentes. Jesus disse: “Então dirá o Rei a todos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, abençoados de meu Pai! Recebei como herança o Reino, o qual vos foi preparado desde a fundação do mundo’”. E acrescentou: “Mas o rei ordenará aos que estiverem à sua esquerda: Malditos! Apartai-vos de mim. Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”.

Para distinguir os dois grupos, o discípulo amado diz que pessoas serão marcadas em suas testas. Receber um sinal de Deus é bom. Quem são as pessoas marcadas? Que marca é esta e por que na testa? O autor do Apocalipse dá as respostas.

O ser humano foi criado à imagem de Deus

Antes de falar da marca de Deus, entenda a intenção original do Criador. A bíblia descreve no livro de Gênesis (1:26) os detalhes finais do projeto divino. No sexto dia, após criar os céus e Terra, Deus falou: “Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.

No princípio, Deus criou o ser humano à sua imagem. Éramos belos. Nossa identidade moral igualava a de Deus. O pecado fez a separação do Pai. Assim, perdemos o brilho de sua luz. Desde o começo, surgiram muitas confusões. Na época de Adão e Eva, terceiros entraram no casamento. Aconteceu, também, briga entre irmãos, e outros assuntos tristes que desestruturaram a família. Mas, a esperança existe. O Apocalipse promete dias melhores. A salvação chegou. A restauração virá.

O casal refletia o brilho de Deus. Contudo, ficaram insatisfeitos com o propósito de divino em suas vidas. O homem e a mulher imaginaram ser iguais ao Pai. O anseio por liberdade e o desejo sem controle geraram insubordinação. Eles deixaram a presença de Deus. Distantes do Criador, perderam o brilho da luz. A imagem dele ofuscou-se. A luz se apagou por completo, até a morte de ambos.

Hoje, o caráter do Pai Celeste não é visto na humanidade. Esta perdeu a semelhança do Criador. Os atributos santos eram desconhecidos. Mas isso mudou com a vinda de Jesus Cristo. Ele veio para revelar o plano de Deus: restaurar a semelhança com o Pai. A esperança reside na atuação do Espírito para imprimir a semelhança divina em seus filhos. A escritora Ellen White (O Desejado de Todas as Nações, capítulo 52, Ed. CPB) escreveu: “Cristo veio para restaurar na humanidade a imagem divina”. Que notícia excelente!

Jesus Cristo é a imagem de Deus

Jesus Cristo dizia ser Deus: “Quem me vê, vê o Pai” (João 14:9). Ele chamava pessoas para segui-lo e as incentivava: “Sejam luzes, brilhem!” (Mateus 5:14). Jesus Cristo religa a humanidade à luz divina. Suas palavras são claras: “Eu sou o Caminho” (João 14:6). Assim, a imagem do Criador deve refletir-se em cada pessoa, por meio dele. A imagem de Deus é Seu caráter e Sua essência.

O projeto Divino executado-se em fases. Na primeira, Cristo nasceu entre nós. Ele deixou o exemplo de como dispor o coração para conhecer, viver e ensinar os atributos divinos. Isso serve para quem tem sede de justiça e busca a verdade como um tesouro.

A ascensão de Jesus Cristo ao céu foi necessária. Esta ação indicou outra fase do projeto de Deus. Lá, Cristo exerce a função mediadora, enquanto o Espírito Santo atua nas pessoas. É um trabalho de equipe competente, com currículo invejável. Cristo deu o recado: “Virá o Consolador, o Espírito da Verdade” (João 14:26).

O Consolador se apresentou aos Apóstolos no dia de Pentecostes com o objetivo de restaurar os dons de Deus na humanidade caída. Todos os dias, Ele trabalha com amor e paciência. O objetivo é convencer do pecado, da justiça, do juízo. Convida à vida pautada na verdade, e alertar: “haverá um juízo!” (João 16:8).

Alguns captam melhor a Luz Divina. O Apóstolo Paulo, um deles, escreveu (cerca de 57 d.C): “… o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22). Viver esses frutos é permitir à Luz divina penetrar a escuridão do pecado. Essa Luz “brilha mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18).

O que é o selo de Deus?

É importante saber que no fim, Deus selará a testa de seus filhos. Que selo é esse? Como recebê-lo? O selo é a personalidade de Deus nos filhos obedientes. Recebê-lo exige um processo diário e permanente da atuação do Espírito Santo na vida. Paulo ensinou aos Efésios (4:30): "... não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção". Aos Coríntios (1:21 e 22), ele acrescenta: "Aquele que nos confirma juntamente com vocês em Cristo e que nos ungiu é Deus, que também pôs o seu selo em nós e nos deu o penhor do Espírito Santo em nosso coração".

Na primeira Carta aos Coríntios (4:16), o Apóstolo Paulo nos convida a imitá-lo. Ele mesmo era imitador de Cristo. Cristo dizia que sua vontade era agradar a Deus. O bom filho agrada ao Pai pela obediência. A imitação mútua de boas ações é o resultado. Isso contagia a coletividade com bons propósitos. Devemos praticar boas ações para com o próximo, indistintamente. Isso é religião. Contudo, a prática de boas ações, por si só, é incapaz de renovar a natureza obscura do pecado. Essa natureza tomou conta do caráter humano. A maldade é evidente. As pessoas mentem, odeiam e desejam vingança. Matam com palavras e ações. A essência do projeto de Deus é esta: retirar a natureza de pecado e preencher o vazio com a natureza divina. Ele fará um novo ser humano. Como disse o profeta Ezequiel (18:31): “um coração novo e um espírito novo”. Segundo o profeta, o coração antigo é de pedra, insensível.

O selo de Deus é uma construção diária, tijolo após tijolo. Edifica-se uma nova identidade, assentada na personalidade de quem vive o propósito celeste. Veja o que escreveu o Apóstolo João. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira…”. Deus ama de forma extraordinária, “de tal maneira” inconcebível, “que deu seu filho único para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

O amor de Deus materializou-se em Jesus Cristo. Ele é nosso substituto do castigo e oferece vida eterna. O amor por Deus concretiza-se na obediência a seus mandamentos. O Apóstolo João escreveu (I João 5:3): “Seus mandamentos não são penosos”. Em seguida, acrescentou: “Se alguém diz: Eu o conheço, mas não obedece a seus mandamentos, é mentiroso e a verdade não está nele. Mas quem obedece à palavra de Deus mostra que o amor que vem dele está aperfeiçoando em sua vida.” (I João 2:4).

O sábado e o selo de Deus

O selo é a personalidade de Deus na humanidade, por meio da atuação diário e permanente do Espírito Santo. Isto permite a luz divina brilhar na vida dos filhos obedientes. Apenas os que estão envolvidos na missão dos três anjos de Apocalipse 14 receberão o selo. O motivo está em Apocalipse 14:12: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”. Esses ‘anjos’ são pessoas que obedecem aos mandamentos de Deus. Dentre eles, está o sábado, esquecido por muitos.

O relato apocalíptico sobre a distinção de personalidades gerou a ideia de um sinal físico, como uma tatuagem na testa ou na mão. Surgiram teorias especulativas sobre esse distintivo, como o código de barras. Depois vieram o chip, cartão de crédito e outras teses inusitadas. A ideia de um sinal físico é descabida.

Ellen White afirmava (Serviço Cristão, capítulo 11, Ed. CPB): a “observância do sábado está ligada com a obra de restaurar a imagem moral de Deus no homem. Este é o ministério que o povo de Deus deve levar avante neste tempo”. A guarda do sábado, como sinal físico, não é em si mesma, o selo de Deus. Da mesma forma, o domingo não será a marca da Besta, como alguns especulam. O selo de Deus é Seu caráter impresso na vida daqueles que vivem o processo de salvação. A marca da Besta é o caráter dela na vida de seus seguidores. Quem é selado pelo Espírito Santo obedece fielmente aos mandamentos de Deus, inclusive o sábado. Nos últimos dias, o sábado será a “pedra de toque” para testar a fidelidade do povo santo. O sábado é valioso somente para o povo de Deus (Ellen White, Testemunhos Seletos, volume 1, capítulo 17, Ed. CPB).

O sábado confirma o sinete celeste. Nele, é possível identificar as credenciais do Criador do céu, da Terra e de todos os seres existentes. A observação do mundo criado é insuficiente para identificar o sábado como sinal divino sem o parâmetro da Bíblia. Deus deu a ordem sabática a Adão, que a passou a Matusalém. Matusalém transmitiu a Sem. O filho de Noé fez a ordem chegar até Moisés por meio de Abraão. Por fim, Moisés escreveu sobre o sábado nos cinco primeiros livros da Bíblica. Deus escolheu a Bíblia para tornar Suas ordens conhecidas. Seu infinito poder colocou o livro sagrado acessível a todos, atualmente, após 3500 anos de história. A leitura da Bíblia revela a vontade de Deus para o sábado.

Em 591 a.C., o profeta Ezequiel escreveu (20:12 e 20) que o sábado era um sinal entre Deus e Seu povo. Os primeiros cristãos obedeceram aos mandamentos de Deus até o século III. Esgotados pelas perseguições romanas, concordaram com as ordens de Constantino, que em 321 d. C. estabeleceu o “dia do sol” (Domingo, Sunday, Sonntag) como feriado civil. Cristãos posteriores ao século III fizeram acordos com Roma por paz. Aceitaram o domingo como dia de culto e, aos poucos, esqueceram o sábado. Em 364 d.C., o Sínodo de Laodiceia confirmou o domingo como dia de celebração religiosa. A conveniência era evidente. Contudo, os cristãos logo perseguiram aqueles de pensamento diferente. Imitaram seus algozes e deixaram de seguir Cristo. Perderam o amor fraternal e adotaram formalidades religiosas fora dos padrões bíblicos.

Na Carta Encíclica Dies Domini, o Papa João Paulo II explica o abandono do sábado pelo domingo. Convenientemente, os primeiros protestantes seguiram a mesma linha. Eles esqueceram o preceito do sábado. O livro de Êxodo (20:8-11) expressa os motivos da obediência sabático de forma cristalina. Quem busca razão para a desobediência não tem desculpa, sob o argumento de que a morte de Cristo na cruz aboliu o decálogo. O curioso é que a suposta abolição só atingiu o quarto mandamento. Todos os nove mandamentos são aceitáveis, exceto o sábado, conforme advogam os defensores da tese da comodidade.

No fim da história, aqueles sem a direção do Espírito Santo estarão em uma multidão perdida, mesmo na prática religiosa. A maioria imporá o domingo como dia de descanso global. Eles promoverão o domingo como símbolo de religiosidade, atenção à família, descanso ecológico e redução da poluição. Nenhum argumento contrário superará esses valores universais defendidos por todos. Dizer que o sábado é importante só porque está escrito na Bíblia será insuficiente para convencer alguém. Líderes religiosos relativizam a Bíblia. Assim, eles encontrarão um domingo para obedecer.

O sábado, por si só, não é o selo de Deus. Contudo, os filhos obedientes, que manifestam o caráter de Cristo, observam esse dia sagrado conforme a Lei de Deus. Quem guarda o sábado tem exata percepção de se transformar, dia após dia, pelo poder do Espírito Santo, em comunhão com o Criador. Essas pessoas ouvem, entendem e obedecem a voz de Deus, pois a salvação veio pelos méritos de Jesus. A obediência à Lei Divina é posterior à salvação operada na cruz. A redenção humana é obra exclusiva do Messias, mas a obediência exige parceria com o Espírito Santo.

O selo de Deus e a marca da Besta

O selo de Deus é uma construção progressiva e ininterrupta que dura a vida toda. Consiste em mudanças diárias. O Espírito Santo de Deus as trabalha em comunhão com a pessoa. O mentiroso adota a verdade. Quem furtava ou roubava, deixa essa prática. O Espírito transforma o caráter.

Por outro lado, a marca da Besta não é um sinal visível, como um CHIP, tatuagem ou código de barras. Ela identifica a pessoa com o caráter do mal. A marca pertence ao sistema de crenças que se opõe a Deus. Isso é imaterial, mas perceptível pelas ações humanas.

O selo de Deus traz o nome de Cristo e de seu Pai na testa dos obedientes aos dez mandamentos (Apocalipse 7:3; 14:1). Os filhos de Deus moram na Terra, mas seus pensamentos, aspirações, desejos, projetos, focam no céu. Os pensamentos e as atitudes de quem possui a personalidade da Besta focam nesta Terra.

Deus prepara um povo para os últimos dias, simbolizado pelos 144 mil (Apocalipse 7:4). O número dos salvos é bem maior. Todavia, somente esse grupo, por sua experiência com Deus, conhece o “cântico novo” (Apocalipse 14:3). Esse povo peculiar manifestará o propósito de Deus na vida e receberá o selo de Deus na testa. A testa, símbolo da razão, representa escolha consciente e livre pela obediência.

Característica do povo de Deus selado: os 144 mil

A característica primordial do povo selado é a perseverança na obediência aos mandamentos de Deus e a fé em Jesus Cristo. Sua fidelidade se manifesta em seguir o Cordeiro aonde Ele for.

A segunda característica é: “não teve relações com mulheres”. A Bíblia não se refere a relações sexuais, pois os patriarcas se casaram. Se eles não fossem salvos, a pretensão da vida eterna seria vã. No Apocalipse, “mulher” representa um sistema de crenças. O plural “mulheres” indica as filhas de Babilônia. Elas ensinam doutrinas contrárias à Bíblia. Babilônia simboliza o sistema religioso de confusão que imperará nos últimos dias.

A terceira característica dos salvos é: eles foram “comprados com o sangue do cordeiro”, Jesus Cristo. A morte de Jesus é o único meio de redenção humana. A vida eterna é alcançada pela aceitação de Seu sacrifício.

Quarta característica, “não se achou mentira em sua boca”. Cristo é a verdade, e o inimigo é o pai da mentira. Quem mente e quem fala a verdade possui, portanto, pais espirituais diferentes. A mentira destrói amizades, vínculos conjugais e paternos. Relacionamento saudável é impossível onde ela prevalece. É imperativo viver a verdade, independentemente das consequências. O Apóstolo Paulo afirmou (2 Tessalonicenses 2) quem ama a verdade não será enganado.

Quinta característica dos 144 mil: irrepreensíveis, decididos mesmo diante da morte. A graça de Cristo os salva, sem mérito próprio ou esforços pessoais para alcançar a salvação. Chegarão ao céu unicamente pelos méritos de Jesus. Serão imperfeitos até o dia da volta de Jesus, quando serão transformados. Paulo escreveu (I Coríntios 15:52): “…num abrir e fechar de olhos … transformados”. Os vivos serão transformados; os mortos em Cristo, ressuscitados.

Deus conta com todos

Obedecer, contudo, é apenas o ponto de partida. Precisamos de mais: é necessário trabalhar ativamente para o sucesso do empreendimento do Mestre. Conforme “O Desejado de Todas as Nações” (p. 195), “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva, faz-se fonte de vida. O depositário torna-se doador. A graça de Cristo no coração é uma vertente no deserto, fluindo para refrigério de todos, e tornando os que estão prestes a perecer, ansiosos de beber da água da vida”. Jesus reforça a missão (Mateus 28): “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho”, e no apelo por ajuda: “A ceara é grande e poucos são os trabalhadores” (Lucas 10:2).

Apocalipse 14 descreve três anjos voando pelo céu. Essa representação, que muitos imaginam ser de seres celestiais alados, na verdade, inclui seres humanos engajados em anunciar a salvação de Jesus Cristo. Ellen White assegura que somos cooperadores de Deus na pregação do Evangelho (Testemunhos Seletos, vol. 2, cap. 36): “Deus realizou sua parte no plano de salvar o homem e convida agora a igreja a colaborar com Ele. De um lado estão o sangue de Cristo, a Palavra da verdade e o Espírito Santo; do outro, as almas que perecem. Cada discípulo de Cristo tem uma parte a desempenhar nesse plano, a fim de induzir os homens a aceitarem as bênçãos que o Céu lhes provê. Façamos uma indagação minuciosa a ver se temos cumprido nossa parte”.

Em outra citação, ela reitera (Minha Consagração Hoje (My life today), zelosos de boas obras, de 2 de agosto de 1952, CPB): “Todos têm seu lugar no plano eterno do céu. Todos devem colaborar com Cristo para a salvação de almas. Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus”.

Os humanos são esses anjos de Deus. Deus conta com todos para anunciar a salvação em Jesus Cristo. Embora os anjos literais possam realizar esta missão, ela é um dever e um privilégio para o participante. Os anjos reais podem e sempre ajudarão. O maior beneficiário é quem participa da missão, que terá a fé fortalecida ao ver a atuação de Deus na vida das pessoas.

O recado de Deus (Isaias 6:8) nos interpela: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?”. O sal da Terra e a luz do mundo são agentes de Deus. Eles influenciam positivamente. O Pai Celeste aguarda pacientemente por todos para anunciar o juízo vindouro.

Conclusão

O Apocalipse revela esperança para a humanidade caída. Anuncia também o juízo final conforme está escrito: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque é chegada a hora de Seu juízo” (14:7). Haverá uma batalha. De um lado, seres humanos entregues a si mesmos. Espíritos maus os dirigirão em busca de prazer, mentira e violência. Suas vidas refletem o caráter do inimigo. Do outro, estará um povo guiado pelo Espírito Santo produzindo Seus frutos. São os pacificadores que têm fome e sede de justiça. Esses benditos do Pai recebem o selo de Deus em suas testas. O selo é uma construção diária e progressiva, tijolo após tijolo, na personalidade de quem se dispõe a viver o propósito do Senhor.

O selo é a identidade de Deus em Seus filhos obedientes. É o Caráter Divino impresso na vida do salvo, em contraste com o caráter da Besta na vida de seus admiradores. Os selados pelo Espírito Santo obedecem fielmente aos Dez Mandamentos de Deus, inclusive o sábado. No fim dos tempos, o sábado será a ‘pedra de toque’ para testar a fidelidade do povo santo.

Deus conta com todos para anunciar a salvação. Ele sabe que são os maiores beneficiados neste projeto grandioso. Seja a boca de Deus para anunciar a salvação; por isso, da boca só pode sair a verdade.

Para participar dessa aventura que mudará o destino do Universo, o começo é a devoção diária: leitura da Bíblia e oração; são meios eficazes para conhecer a vontade de Deus. O compromisso é diário e constante. A semelhança com o Pai é proporcional ao tempo de comunhão com Ele.

A vontade de Cristo é que o caráter humano imite o Caráter Divino, tal qual era com os primeiros pais na criação. Decida-se hoje. Renove a vida e reflita o Caráter de Cristo.

Que o apelo de Paulo alcance cada pessoa (Romanos 12: 1 e 2): “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional; e não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.