15 setembro 2026

Justiça

 

A justiça brasileira enfrenta um momento crítico, agravado pela atuação do Supremo Tribunal Federal. Pesquisas de opinião pública do Datafolha (entre 8 e 10 de setembro de 2026, com 2.002 pessoas em 125 cidades) apontam que 76% consideram que o STF tem poder excessivo e 77% afirmam não confiar na instituição. Outro levantamento da Quaest (entre 10 e 13 de setembro de 2026, com 2.004 pessoas) indica que 56% da população desconfia da Corte.

No dia 15 de setembro de 2026, por ocasião do julgamento da Petição 16.662, que reúne informações da Polícia Federal sobre possível interação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, a ministra Cármen Lúcia expressou tristeza com o julgamento e pediu desculpas aos brasileiros pela vergonhosa sessão. A percepção de impunidade de pessoas influentes e a percepção de decisões parciais desgastam a credibilidade das instituições nacionais.

Esse desgaste, vem de longa data. O STF assumiu protagonismo em temas do Poder Legislativo ao atuar em pautas penais. Na ADO 26 e no MI 4.733 (13 de junho de 2019), equiparou homofobia e transfobia aos crimes da Lei 7.716/1989, que não contempla orientação sexual, contrariando o artigo 5º, inciso XXXIX, da Constituição que determina: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Em 29 de abril de 2020, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a Direção da Polícia Federal, sob o argumento de que a prerrogativa presidencial não seria absoluta.

A controvérsia institucional também marcou o julgamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 31 de agosto de 2016. Presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, a sessão acolheu destaque do Partido dos Trabalhadores para dividir a votação entre a perda do mandato e a manutenção dos direitos políticos, medida contestada com base no artigo 52 da Constituição Federal, que trata da perda do cargo com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública. O resultado da votação viabilizou a eleição de Dilma Rousseff ao Senado por Minas Gerais. Todavia, a tentativa foi frustrada pela derrota nas urnas por Rodrigo Pacheco e Carlos Viana em 2018.

Em 14 de março de 2019, o presidente do STF, Dias Toffoli, instaurou o Inquérito 4.781 e designou o ministro Alexandre de Moraes como relator sem sorteio prévio. O processo permanece aberto, e o ministro Marco Aurélio classificou a medida como o "inquérito do fim do mundo" devido à amplitude das regras adotadas.

Em 8 de março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou, por decisão monocrática, as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva proferidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito do HC 193.726. Fachin declarou a incompetência daquele juízo para processar e julgar as ações penais, determinando o envio dos processos à Justiça Federal do Distrito Federal. Em 15 de abril de 2021, o Plenário confirmou a decisão, por 8 votos a 3. Votaram pela manutenção da decisão de Fachin: Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso; enquanto Nunes Marques, Marco Aurélio e Luiz Fux votaram contra.

Nova controvérsia ocorreu em 20 de outubro de 2022 (Na Ação de Investigação Eleitoral AIJE 0601522-38.2022.6.00.0000, sob a relatoria do ministro Benedito Gonçalves), quando a ministra Cármen Lúcia votou para suspender a exibição de um documentário da produtora Brasil Paralelo até o final do segundo turno eleitoral, ponderando restrições à liberdade de expressão em caráter excepcional. A ministra afirmou: "Não se pode permitir a volta de censura sob qualquer argumento no Brasil... Mas eu vejo isso como situação excepcionalíssima". A fala condenou a censura em tese, mas, admitiu uma restrição à exibição do conteúdo no caso concreto.

A tensão institucional atingiu o ápice por ocasião do julgamento da Petição 16.662. O ministro Kássio Nunes Marques declarou-se impedido e o ministro Dias Toffoli deu-se por suspeito. O ministro Gilmar Mendes acusou o ministro André Mendonça de prevaricação, zombou de sua religiosidade e, em tom agressivo e aos gritos, chamou-o de "esse sujeito que não merece respeito", argumentando que Mendonça não deveria ter afastado o diretor da Polícia Federal. Contudo, em agosto de 2008, o próprio ministro Gilmar Mendes havia pedido ao Presidente Lula a demissão de Paulo Lacerda, diretor da Agência Brasileira de Inteligência naquele ano. O episódio envolveu suspeitas de monitoramento ilegal de Gilmar Mendes pela Abin e teve ampla repercussão.

No mesmo contexto, o ministro Flávio Dino afirmou que vivemos "o momento mais corrupto do judiciário do Brasil", enquanto o ministro Luiz Fux declarou que o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, agiu com desvio de função e utilizou documentos apócrifos.

O debate processual concentrou-se em questões procedimentais para adiar a análise de mérito, dominado por acusações e ironia entre alguns ministros. Diante de suspeitas que merecem investigações para esclarecimento dos fatos, o cenário provoca um sentimento doloroso de impunidade, impotência, vergonha, desânimo e tristeza diante do colapso moral da justiça.

11 setembro 2026

11 de setembro

 

Hoje, o mundo recorda, com pesar, os 25 anos dos ataques de 11 de setembro e presta homenagem à memória das 2.977 vítimas desse ato brutal. Expressamos nossa solidariedade às famílias que foram profundamente afetadas por essa tragédia.

Infelizmente, há quem escolha a violência em vez da paz. Atos de extrema violência provocam profunda consternação e nos lembram da necessidade de perseverarmos na construção de uma sociedade fundada na paz, na fraternidade e no respeito entre os povos.

A busca por esse ideal exige compromisso diário. O bem transforma as nações, assim como o amor pacifica os corações. Nesse sentido, Jesus Cristo deixou um ensinamento eterno sobre o valor da paz: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”

Que a memória das vítimas do 11 de setembro fortaleça nosso compromisso com a paz, a fraternidade e a construção de um futuro mais seguro para todos.

Síndrome de Estocolmo

A Síndrome de Estocolmo consiste em um fenômeno psicológico complexo. Nesse quadro, a vítima desenvolve empatia, afeto e lealdade pelo próprio agressor. O cérebro adota esse mecanismo inconsciente para garantir a sobrevivência humana em situações de extremo estresse, a exemplo de sequestros e abusos. O termo surgiu na Suécia, no ano de 1973. O psiquiatra Frank Ochberg criou a expressão após um assalto a banco. Naquela ocasião, os criminosos mantiveram quatro funcionários reféns por seis dias. Surpreendentemente, os cativos criaram confiança pelos sequestradores e defenderam os bandidos perante as autoridades.

Diversos fatores causam essa condição mental. O medo extremo, a dependência emocional, o isolamento e a vulnerabilidade psicológica formam o ambiente propício. Consequentemente, a vítima interpreta pequenos gestos do agressor como demonstrações de afeto. Essa percepção distorcida consolida o vínculo emocional. Além disso, surgem sintomas evidentes. O refém protege e justifica o algoz. Ademais, o indivíduo desconfia das autoridades e recusa ajuda externa.

Imagine a seguinte cena atribuída ao ditador Josef Stalin. Ele depenou uma galinha viva diante de seus aliados para demonstrar poder. O líder arrancou todas as penas da ave. O animal caiu machucado e sentiu frio no chão. Em seguida, o governante começou a soltar grãos de milho pela sala. A ave ignorou a dor física. Ela seguiu o próprio agressor por toda parte para comer. Essa história explica o funcionamento dos governos autoritários. Os tiranos retiram todos os recursos de uma sociedade. Depois, esses políticos oferecem migalhas para garantir a sobrevivência básica da população. As pessoas focam na fome imediata. O povo esquece a violência inicial. O cidadão oprimido passa a enxergar o governante cruel como um grande herói.

Assim funciona a dinâmica na política que reflete a mecânica desse fenômeno psicológico. Governos abusivos oprimem a sociedade para preservarem o controle estatal. O sistema explora o cidadão por meio de tributação excessiva e serviços precários. Em contrapartida, o Estado oferece benefícios sociais mínimos. Dessa forma, o povo submetido ao sofrimento diário enxerga essas pequenas concessões, que são migalhas, como atos de bondade. A população oprimida cria um vínculo irracional de lealdade com seus próprios exploradores. Portanto, essa submissão cega garante a perpetuação do ciclo de abuso em qualquer nação.


08 setembro 2026

Orar pelo Brasil

 

Há quatro anos, paira um sentimento de tristeza e angústia com a política nacional. Os acontecimentos desse período abalaram a confiança nas instituições que deveriam garantir a justiça, a segurança jurídica e a estabilidade do país. As denúncias de corrupção em instituições públicas, a presença da mentira no discurso das autoridades responsáveis pela transparência, os conflitos entre governantes e instituições contribuíram para um ambiente de insegurança e desconfiança.

São Paulo advertiu que, nos últimos dias, surgiriam homens cruéis, traiçoeiros, amantes do dinheiro e mentirosos. Essa passagem convida à reflexão sobre o tempo presente e sobre a responsabilidade moral de quem exerce o poder. O uso da força estatal contra adversários políticos, os julgamentos percebidos como parciais e as condenações consideradas injustas, sobretudo quando acompanhadas de penas desproporcionais, causam temor. Esse cenário revela uma grave crise moral e espiritual.

Editoriais da Gazeta do Povo e da Revista Oeste expressam preocupações semelhantes. Seus autores apontam uma crise de credibilidade institucional e criticam decisões do Judiciário em processos de grande repercussão política. Também sustentam que alguns julgamentos podem comprometer a percepção de imparcialidade e alimentar, em determinado grupo político, a sensação de perseguição. O cidadão comum acompanha esse cenário com perplexidade.

O desequilíbrio entre os Poderes intensifica a crise. Críticos do presidente do Senado consideram omissa sua atuação diante desses conflitos institucionais. Ao mesmo tempo, o presidente da República enfrenta forte rejeição de parcela expressiva da população, que o acusa de mentir e de envolvimento em corrupção. Em declaração feita anos atrás, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o país vivia sob uma cleptocracia. As manifestações públicas revelam um país marcado por profunda desconfiança nas autoridades dos três Poderes da República.

Esse cenário exige reflexão, responsabilidade e mudança. Por isso, oro diariamente pelo Brasil até as próximas eleições. Peço a misericórdia de Deus pelos brasileiros e clamo por justiça, paz e sabedoria para o povo deste país.

Creio que a esperança ganhará força nas urnas. Cada cidadão tem o dever de escolher representantes de caráter, conduta ilibada e preparo para servir ao bem comum. O futuro da nação exige fé, responsabilidade e ação.

Acredito que o Brasil superará este período sombrio com coragem. Para isso, precisamos lutar pela liberdade e exigir que todos os Poderes atuem dentro dos limites da Constituição. A bravura e a união dos brasileiros serão essenciais para reconstruir a confiança no país e livrá-lo de práticas e de grupos que subordinam o interesse público a interesses particulares.

04 setembro 2026

A Restauração da Mente e a Fidelidade no Casamento


Deus realiza coisas extraordinárias na vida humana e nos concede bênçãos incontáveis diariamente. No entanto, Ele estabelece limites intencionais para testar a nossa fidelidade e proteger a nossa caminhada. No Jardim do Éden, a árvore do conhecimento do bem e do mal representava essa fronteira. Ao olhar para o fruto proibido e dar ouvidos à voz da tentação, a humanidade buscou uma falsa liberdade fora da esfera divina. Esse primeiro passo abriu as portas para a cobiça e afastou o homem da vontade do Criador.

A cobiça atrai novos desejos em um ciclo contínuo e exaustivo. No processo de buscar prazeres ilícitos, o homem tenta ser o senhor das próprias vontades, esquecendo-se de que a cobiça não tem limites. Contudo, a vida é limitada pelo tempo, sendo impossível realizar todos os desejos. As promessas do mundo presente oferecem uma ilusão atraente, mas entregam apenas escravidão moral e vazio espiritual. O caminho de volta pede que cada um de nós se sujeite novamente às leis do Senhor, aceitando a restauração oferecida por Jesus para a nossa vida.

Para resistir ao apelo da cultura moderna, precisamos apresentar o nosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável ao Criador. O conselho do apóstolo Paulo aos Romanos nos convida a recusar os costumes desonrosos deste mundo e a permitir que Deus transforme nosso interior. Essa mudança de atitude renova a nossa percepção e nos permite experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para a vida conjugal e para as nossas relações pessoais.

O verdadeiro antídoto contra a cobiça e o desejo sem freio reside no contentamento e na confiança em Deus. Estar satisfeito com as bênçãos recebidas de Deus elimina a ganância e fortalece o caráter contra os apelos da imoralidade. Quando confiamos na providência divina, encontramos paz em nossas decisões e deixamos de buscar em caminhos proibidos a plenitude que só o Senhor pode oferecer. A generosidade e a gratidão dissolvem o egoísmo e edificam um ambiente seguro e estável.

Nos dias atuais, essas tentações encontram novos caminhos para alcançar o coração humano. As redes sociais e os ambientes virtuais multiplicam os estímulos à imoralidade. A pornografia e a promiscuidade agem como armadilhas silenciosas que enfraquecem e ferem a consciência. Ao ceder a esses impulsos, o homem perde a confiança em si mesmo, sente o peso da culpa e passa a duvidar da sua própria capacidade de vitória. O inimigo aproveita esse momento de fraqueza para sugerir que o arrependimento é inútil e afastar o pecador da graça de Deus. Mas em Cristo existe restauração, perdão e possibilidade de recomeço.

Diante dessas batalhas diárias, a Bíblia nos ensina a guardar o coração como a fonte de todas as decisões. Como orienta o texto sagrado em Provérbios 4:23, devemos ter cuidado com o que pensamos, pois a nossa vida é dirigida pelos nossos pensamentos. A vitória contra a tentação começa na decisão de proteger a mente, rejeitando imagens, pensamentos e desejos que possam contaminar o coração. A vigilância constante e a oração sincera funcionam como escudos indispensáveis contra os ataques que tentam contaminar o nosso foco nos princípios do Senhor.

Essa proteção da mente e do coração é especialmente importante quando falamos sobre casamento e fidelidade. O mandamento sagrado "Não adulterarás" estabelece a base para a proteção da família e do indivíduo. Jesus, porém, aprofundou esse ensinamento ao mostrar que a infidelidade não começa apenas no ato exterior, mas também pode nascer de um desejo cultivado no íntimo do ser. Por isso, preservar a fidelidade demanda mais do que evitar uma atitude: exige cuidar dos pensamentos, dos desejos, das escolhas e dos limites que estabelecemos diariamente. A fidelidade conjugal obriga que o marido dedique seu olhar, suas palavras e seu afeto exclusivamente à sua esposa, honrando a aliança firmada perante Deus.

É nesse ponto que o ensino de Paulo em Efésios 5 amplia nossa compreensão sobre a fidelidade no casamento. O casamento cristão não deve ser sustentado apenas pelo medo de pecar ou pela obrigação de permanecer fiel. Ele deve ser construído sobre amor, entrega, respeito, cuidado e compromisso mútuo.

Assim, a fidelidade no casamento começa muito antes de uma possível traição. Ela começa na maneira como a pessoa administra seus desejos, estabelece limites e escolhe honrar seu cônjuge. A restauração que Jesus oferece significa abandonar o pecado, permitindo a transformação dos pensamentos, dos desejos, das atitudes e dos relacionamentos, que serão marcados pela verdade, pela pureza, pelo amor e pela fidelidade.

Ellen White, em Testemunhos Seletos, lembra que a perda da modéstia e a quebra dos padrões morais degradam os pensamentos e enfraquecem o discernimento espiritual. No entanto, a graça do Espírito Santo concede o domínio próprio necessário a todos os que buscam a Deus com sinceridade. O arrependimento verdadeiro limpa o passado e renova a esperança do homem que deseja andar em santidade. O Senhor está pronto a acolher aquele que clama por socorro no momento da tentação, concedendo vitória e firmeza moral.

A escolha entre ceder aos impulsos momentâneos ou viver em pureza define o futuro da nossa vida e da nossa família. Ao abandonarmos o orgulho e as práticas ocultas que mancham a consciência, refletimos a paz e a serenidade de quem confia na palavra divina. Permaneça firme ao lado de Cristo, proteja a sua mente, honre o seu casamento e viva com a dignidade de quem foi chamado para pertencer à família de Deus.

 

Fonte Bibliográfica:

Bíblia Sagrada: Provérbios 4:23; Romanos 12:1-2; 1 Timóteo 6:6-8; Lucas 12:15; Hebreus 13:5; Êxodo 20:14; Mateus 5:27-28; 1 Coríntios 6:18; 2 Pedro 1:4; Tiago 4:8-9, Efésios 5:21-33.

White, Ellen G.: Testemunhos Seletos, vol. 1, Capítulo "Consciência Violada", pp. 198-202. Casa Publicadora Brasileira.